A Universidade do Colorado realizou estudos em cães e gatos domésticos com o intuito de perceber como estes animais reagem à covid-19. Depois de verem os resultados preliminares, os investigadores acreditam que os felinos podem servir de modelo para estudos sobre vacinas contra a doença.

O estudo foi publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, a revista oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Na pesquisa realizada não foram encontrados quaisquer sintomas de covid-19 nos animais utilizados, mas os investigadores ressalvam que estes resultados não devem ser generalizados, até porque só foram testados sete gatos (um macho e seis fêmeas entre os cinco e oito anos) e três cães (três fêmeas entre os cinco e seis anos).

As primeiras indicações apontam que, mesmo não desenvolvendo sintomas, os gatos podem ser transmissores ativos do vírus para outros animais da mesma espécie, algo que não aconteceu com os cães.

Os gatos transmitiram o vírus por via oral um dia depois de terem sido infetados", referem os investigadores.

Segundo os autores, não existem quaisquer evidências de que a doença possa ser transmitida por gatos ou cães para seres humanos, ainda que o contrário seja possível.

A cientista Angela Bosco-Lauth refere que, mesmo que infetados no dia a dia, os gatos não desenvolvem sintomas, pelo que os seus donos podem nunca vir a perceber que o animal contraiu o vírus, que até pode ter sido passado por um humano.

A pesquisa revelou que, quando infetados, tanto gatos como cães desenvolveram uma resposta imune ao vírus, tendo recuperado da doença.

O estudo acrescenta ainda que, quando foram expostos novamente ao vírus, os gatos não voltaram a ser infetados. Assim, os investigadores acreditam que estes animais podem servir de modelo para a produção de vacinas contra a covid-19, ainda que não seja certo o tempo de imunidade desenvolvido.

Os gatos podem servir como um modelo animal adequado para estudar a infeção por SARS-CoV-2 e para promover o desenvolvimento de vacinas e terapias para uso em animais e humanos", conclui a pesquisa.

Ainda que esta não seja uma possibilidade totalmente aferida, os especialistas aconselham as pessoas que ficaram infetadas e que têm gatos a não deixarem os animais saírem à rua. Outros estudos concluíram que animais como os furões são facilmente infetados e que propagam o vírus entre a espécie.

Nos Países Baixos foram abatidas milhares de martas, animal que se crê ter sido responsável por várias transmissões de covid-19 para humanos.

António Guimarães