A vacina contra a covid-19 deverá chegar à América Latina em março ou abril de 2021, depois de ser distribuída pelos Estados Unidos e Europa, segundo o grupo farmacêutico que vai produzir a vacina de Oxford.

Até ao momento, ainda não foi aprovada para comercialização nenhuma das 175 vacinas que estão a ser desenvolvidas no mundo.

No entanto, a aprovação de algumas das vacinas deverá ocorrer em breve, ainda este mês ou no próximo, caso não surjam imprevistos, lembrou Hugo Sigman, fundador e diretor geral do grupo farmacêutico Insud, que irá produzir a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e da AstraZeneca.

As declarações do farmacêutico Hugo Sigman foram feita durante o seminário online organizado pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e estão a ser citadas pela agência de notícias espanhola EFE.

Segundo o farmacêutico, ainda não é possível saber quanto tempo irão durar os anticorpos de uma pessoa vacinada, mas prevê-se que seja pelo menos um ano, à semelhança do que acontece com a vacina da gripe.

A vacina da Universidade de Oxford, juntamente com a candidata da Pfizer e da BioNTechque, são atualmente apontadas como as que têm mais hipóteses de serem as primeiras a ser submetidas à aprovação regulatória.

“Todos os países iberoamericanos estão a fazer planos de compras muito importantes”, afirmou o farmacêutico.

Em Portugal, o Governo autorizou a compra de 6,9 milhões de vacinas contra a covid-19, que vão custar 20 milhões de euros, através de um processo que está a ser coordenado entre países da União Europeia (UE).

Sobre as críticas de quem teme que os danos de tomar uma vacina sejam superiores aos benefícios, o farmacêutico garantiu que os mecanismos de segurança são “muito bons” e que “o custo-benefício de se vacinar é superior ao de não se vacinar”.

O objetivo é que pelo menos 70% da população seja vacinada para criar imunidade de grupo.

O farmacêutico lembrou que a covid-19 veio fortalecer o processo de elaboração de um tipo de vacinas que já tinha sido iniciado com a prevenção de outros coronavírus.

Os laboratórios já estavam a trabalhar para combater a SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome, que em português se traduz para Síndrome Respiratória Aguda Grave), que foi identificada pela primeira vez em 2003, assim como a MERS (Síndrome Respiratória do Médio Oriente), que surgiu em 2012.

Hugo Sigman manifestou-se ainda confiante quanto à forma como a pandemia deverá evoluir no próximo ano, uma vez que já serão conhecidas as medidas para o tratamento e prevenção da doença e porque haverá uma maior notificação dos casos assintomáticos, o que poderá diminuir a propagação do vírus.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos em mais de 47,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.694 pessoas dos 156.940 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ AG