Nos últimos meses, cientistas de todo o mundo têm trabalhado dia após dia para tentar descobrir uma vacina e estudar cada pedaço do vírus que dá origem à Covid-19. Já se conhece a estrutura, o genoma, como se parece, como entra no organismo e o que faz ao corpo humano. Agora, também se sabe até como soa.

Um grupo de investigadores do IMT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), liderado por Markus Buehler, desenvolveu um modelo de inteligência artificial para transformar a estrutura do SARS-cov2 em música.

‘Foi isso que fizemos: uma espécie de sinfonia em que cada padrão musical representa uma parte da geometria do vírus.’’

O algoritmo utilizado atribui uma nota musical a cada tipo de aminoácido presente nas proteínas que compõem a estrutura do vírus, representadas graficamente em forma de pequenos espinhos ou saliências. Esses pequenos espinhos têm estruturas muito complexas, mas que podem ser sequenciadas. A partir dessas sequências, que variam consoante o comportamento dos aminoácidos ‘’musicados’’, os cientistas conseguem alterar a duração, o volume e o timbre de cada nota musical. O resultado depende da evolução do vírus; aplicado ao corpo humano, pode dizer-se que o resultado depende da evolução da doença.

É aqui que a música pode ajudar a ciência. Uma determinada composição musical pode dar pistas aos investigadores sobre substâncias, agentes ou fármacos a aplicar para que se chegue a determinadas sequências, bem como permitir a simulação desses comportamentos em meio laboratorial e até digital.

Esta sinfonia de proteínas pode ser ouvida. É assim que ‘’soa’’ o novo coronavírus.

João Morais do Carmo