O diretor da farmacêutica Moderna avisou esta quinta-feira que o acesso geral a uma vacina contra a covid-19 produzida pela empresa não deverá acontecer antes do final de março ou início de abril do próximo ano.

Numa conferência organizada pelo Financial Times, Stéphane Bancel rejeitou aquilo que Donald Trump tem vindo a reiterar: a ideia de que uma vacina estará acessível até ao final do ano. De resto, o presidente norte-americano queria mesmo que uma vacina fosse produzida antes das eleições, a 3 de novembro.

Bancel explicou que, caso a segurança e a eficácia da vacina contra a covid-19 sejam provadas, a farmacêutica espera poder requisitar uma licença total à Food and Drug Administration (o regulador dos medicamentos nos Estados Unidos), designada de BLA (sigla em inglês para Biologics License Application), no final de janeiro ou início de fevereiro.

O responsável acrescentou que poderá ser requisitada uma licença de emergência, designada de EUA (Emergency Use Authorization), mas nunca antes de 25 de novembro, ou seja, já depois das eleições. Esta licença de emergência poderá abranger pessoas de alto risco, como idosos, pessoas com outra doenças ou profissionais de saúde.

A licença de emergência poderá ser uma ferramenta importante para se começar a vacinação de pessoas de alto risco como idosos e profissionais de saúde”, vincou Stéphane Bancel.

Para a vacinação da população em geral, no entanto, Bancel acredita que o processo só poderá acontecer com uma BLA, ou seja, com uma autorização total por parte do regulador. Assim, não se espera o acesso geral a uma vacina antes da primavera.

Muitos especialistas têm mostrado preocupação com eventuais pressões de Donald Trump para a produção de uma vacina antes das eleições. Questionado sobre este assunto, o diretor da Moderna afirmou que não recebeu qualquer tipo de pressão política, de nenhum quadrante.

Desde que começámos esta corrida contra o vírus em janeiro, ninguém, de nenhum partido, de nenhuma franja do governo, de nenhum país, nos pediu para ir mais rápido ou mais devagar”, frisou.

Esta sexta-feira, Donald Trump anunciou que ele e a mulher, Melania, estão infetados com o coronavírus. O presidente e a mulher foram testados depois de uma colaboradora próxima ter confirmado estar infetada.

Desde o início da pandemia, os Estados Unidos já registaram mais de 200.000 óbitos e mais de sete milhões de casos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 34 milhões de casos de infeção em todo o mundo.

Sofia Santana