As medidas de contenção e de distanciamento social para combater a pandemia de Covid-19 poderão durar até 2022, caso, até lá, não haja uma vacina disponível. A conclusão consta num estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicado esta terça-feira na revista Science.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard usou o conhecimento que existe sobre o SARS-CoV-2 e o que se sabe em relação a outros coronavírus para desenhar cenários possíveis para a atual pandemia. E as conclusões a que chegou são bem diferentes das projeções traçadas pelos especialistas da Casa Branca, que apontam para o fim da pandemia em território americano já neste verão.

O estudo concluiu que o vírus poderá voltar e que, caso não haja uma cura, as medidas de distanciamento social poderão ter de durar até 2020, ainda que de forma intermitente, para evitar a sobrelotação dos hospitais e uma rutura do sistema de saude. 

Projetamos que novos surtos de SARS-CoV-2 durante o inverno poderão voltar a acontecer depois desta vaga inicial e mais grave. Sem outras intervenções, o sucesso do combate à doença é medido através da resposta das unidades de cuidados intensivos. Para evitar a sua sobrelotação, medidas de distanciamento de forma prolongada e intermitente poderão ser necessárias até 2022."

Os investigadores, liderados pelo epidemiologista Marc Lipsitch, salientam que, mesmo que haja uma "eliminação aparente" do vírus, este terá de continuar a ser monitorizado porque continuará a haver risco de o vírus voltar até 2024.

Mesmo no caso de uma eliminação aparente, a vigilância do SARS-Cov-2 deverá ser mantida pois poderá ser possível um ressurgimento até 2024.”

O estudo destaca que ainda, sempre que as medidas de contenção forem levantadas, o vírus poderá voltar ainda com mais força.

Há, no entanto, um dado importante que vai influenciar a evolução da pandemia e que ainda não é conhecido: a imunidade das pessoas que foram infetadas e que recuperaram.

Os especialistas alertam que, noutros casos de coronavírus, a produção de anticorpos é temporária e dura apenas um ou dois anos. Por isso, há uma forte hipótese de o novo coronavírus poder circular todos os anos ou a cada dois anos.

Os investigadores frisam, porém, que medidas de confinamento durante tanto tempo, mesmo que de forma intermitente, teriam efeitos “profundamente negativos ao nível económico, social e educacional.”

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela Covid-19, que surgiu na China, no final de dezembro. O país já contabiliza mais de 25.000 mortos.

Sofia Santana