O novo coronavírus poderá ter estado adormecido durante um longo espaço de tempo antes de ser “ativado” por condições meteorológicas favoráveis, segundo uma tese da Universidade de Oxford que coloca em causa a teoria de que a Covid-19 teve origem na China.

Segundo o professor de medicina Tom Jefferson, da Universidade de Oxford, descobertas recentes da capacidade infecciosa do vírus apontam para a sua presença em várias partes do mundo antes de ter emergido em Wuhan.

Vestígios da Covid-19 foram descobertos em amostras de esgoto em Espanha, Itália e no Brasil antes da sua descoberta na China.

Discutindo a possibilidade de o vírus não ter origem na China, o professor Tom Jefferson disse ao jornal The Daily Telegraph que “coisas estranhas como estas aconteceram de forma semelhante com a Gripe Espanhola”.

Em 1918, perto de 30% da população do Samoa Ocidental, que não tinha contacto com o mundo exterior, morreu devido à Gripe Espanhola. A explicação para isto pode significar que este tipo de agentes infecciosos estiveram sempre presentes em várias populações, sendo que algo os ativou. Devemos concentrar os esforços para descobrir o porquê de terem sido ativados”, afirma o especialista.

O professor da Universidade de Oxford disse ainda acreditar que o vírus foi transmitido através dos sistemas de esgotos ou do uso de casas de banho partilhadas.

Em Espanha, virologistas afirmam que encontraram vestígios da doença em águas residuais datadas de março de 2019, quase um ano antes de a pandemia chegar à Europa. Segundo os especialistas espanhóis, ninguém deu por nada porque era “a época da gripe e não causou estranheza”:

Na mesma linha, as autoridades de saúde italianas avançaram que recolheram amostras de águas residuais contaminadas com o vírus nas cidades de Milão e Turim, em dezembro.

O mesmo aconteceu com um estudo realizado por especialistas brasileiros que recolheu provas de que o novo coronavírus estava presente, em novembro, em águas residuais em Florianopolis.

A origem da Covid-19 tem estado ligada a animais como o morcego, o pangolim ou o vison. No entanto, a transmissão animal-humano é um fator que continua a fascinar os cientistas.

Especialistas consideram que o novo coronavírus poderá ter estado presente em animais durante décadas até que encontrou forma de se adaptar para atingir os humanos.