O primeiro-ministro britânico apelou esta terça-feira a uma abordagem equilibrada «entre a liberdade e a bandalheira» no ciberespaço, tema de uma conferência internacional que decorre esta terça e quarta-feira, em Londres.



David Cameron reconheceu que os governos não devem deixar «o ciberespaço completamente aberto aos criminosos e aos terroristas que ameaçam a nossa segurança e prosperidade».

Mas, ao mesmo tempo, alertou que posturas mais duras ou de censura podem «esmagar o que a Internet tem de bom, a liberdade de informação, o clima de criatividade que dá vida a novas ideias e novos movimentos».

«O equilíbrio que temos de encontrar é entre a liberdade e a bandalheira», disse.

O primeiro-ministro falava no primeiro dia da conferência, que pretende discutir as oportunidades e as ameaças colocadas pelo ciberespaço e abrir caminho à cooperação internacional.

Nesta conferência estão presentes representantes de cerca de 60 países e também da indústria, de companhias de infra-estruturas e de organizações internacionais e civis.

Cameron saudou os benefícios da Internet em termos económicos, sociais e políticos, referindo o papel nos levantamentos populares em países do norte de África e do Médio Oriente.

Estima-se que, por cada 10 por cento no aumento do acesso a Internet de banda larga o produto interno bruto aumente em média 1,3 por cento, indicou.

O reverso da medalha são os custos do cibercrime, estimados em 27 mil milhões de libras (31,5 mil milhões de euros) por ano só no Reino Unido.

Para o vice-presidente norte-americano Joe Biden, é uma prioridade responder às perguntas sobre a abordagem assegurar que a Internet continue a ser «segura, aberta à inovação e ligada entre todos».

Biden falou em substituição da secretária de Estado, Hillary Clinton, que inesperadamente foi obrigada a cancelar a viagem a Londres devido ao agravamento do estado de saúde da mãe, que entretanto morreu.

«Sabemos que vão ser necessários muitos anos, paciência e discussão persistente com pessoas de todo o mundo para construir um consenso sobre o ciberespaço», admitiu, numa intervenção por teleconferência.

Porém, mostrou-se convencido de que «não há atalhos» para estabelecer regras e criticou o controlo abusivo do uso da Internet por governos de alguns países.
Redação / ACS