O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, cedeu à pressão dos funcionários e avançou que vai rever as regras da rede social que permitem que as mensagens do presidente norte-americano, Donald Trump, permaneçam publicadas, apesar do conteúdo controverso.

Vamos rever as nossas regras que autorizam a discussão e a ameaça do uso da força por um Estado, para ver se devemos aprovar as modificações", escreveu Mark Zuckerberg no seu perfil, numa mensagem dirigida aos funcionários. "E isso inclui o uso excessivo da força, dada a delicada história dos Estados Unidos, que requer atenção especial", acrescentou.

No texto, Mark Zuckerberg detalhou sete áreas que o Facebook planeia submeter à avaliação, embora tenha especificado "que pode não haver mudanças em todas".

Esta mudança de posição do bilionário acontece após uma semana de tensões internas na empresa e "com base no feedback de empregados, especialistas em direitos humanos e especialistas na matéria a nível interno".

Quero reconhecer que a decisão que tomei na semana passada perturbou, decepcionou, ou magoou muitos de vocês", disse Zuckerberg

O co-fundador do Facebook tem vindo sofrer forte contestação nos últimos dias, mesmo dentro da própria empresa, por ter permitido que um post de Donald Trump permanecesse publicado. Na segunda-feira, os funcionários organizaram uma greve virtual e pelo menos dois engenheiros pediram demissão.

Na altura, Mark Zuckerberg defendeu, numa publicação no Facebook, a decisão de permitir que o mesmo conteúdo permanecesse na rede social, onde sublinha que as pessoas devem “poder avaliar por si próprias”.

Um grupo de defesa dos direitos civis alertou mesmo que Zuckerberg abriu “um precedente perigoso”. 

O mesmo post do presidente norte-americano foi ocultado pelo Twitter, sob alegação de que “glorificava a violência”.

Na publicação, na sequência dos protestos em Minneapolis por causa da morte de George Floyd, o presidente escreveu que ia “enviar a Guarda Nacional” e avisou que “quando começarem os saques, começarão os tiros”

Rafaela Laja