Um novo estudo realizado em Espanha vem relançar o alerta sobre a exposição em excesso a ecrãs e o efeito que isso pode ter na visão. Uma equipa de investigadores da Universidade Complutense de Madrid diz que, se continuarmos a passar horas em frente a ecrãs como televisões, computadores, tablets ou telemóveis, corremos o risco de enfrentar, no futuro, uma “epidemia global de cegueira”.

De acordo com os investigadores, liderados pela professora Celia Sanchez-Ramos, a luz emitida pelos ecrãs digitais está a provocar danos irreversíveis nos olhos e a deteriorar as nossas retinas. E a principal causa de visão central, alertam os especialistas, é precisamente danos na retina, a camada do olho que filtra a luz.

A preocupação dos especialistas centra-se nas crianças, que estão mais expostas do que nunca e desde muito cedo, a este tipo de dispositivos.

É fundamental que os adultos e os pais protejam agora as crianças de mais danos”, diz Celia Sanchez-Ramos.

Há atualmente mais de 900 milhões de dispositivos e, só nos Estados Unidos, 70 milhões destes ecrãs são utilizados por crianças, sem qualquer filtro protetor.

O estudo da Complutense agora divulgado analisou e comparou os resultados de dois estudos anteriores. O primeiro expôs a retina de ratos a ecrãs equipados com luz LED, sendo que um dos grupos estava equipados com filtros e outro sem qualquer filtro. Após três meses de exposição, nos ratos expostos à luz emitida pelos ecrãs, sem qualquer filtro, cerca de 23% tinham desenvolvido uma espécie de “morte” de células na retina., o que pode conduzir a uma perda de visão.

Por outro lado, os ratos expostos à mesma luz, mas sem filtros não tinham sofrido danos na retina.

O estudo mostrou ainda que a exposição à luz LED sem filtros favorece os genes e a criação de enzimas que promovem a morte celular.

Os cientistas asseguram que esses efeitos podem ser amplamente reduzidos e mesmo revertidos se usarmos protetores de ecrãs.

Os resultados são importantes porque as telas LED são usadas pela maioria da população, adultos e crianças, para trabalho, estudo e entretenimento", sublinha Celia Sanchez-Ramos.

O segundo estudo analisado pelos cientistas espanhóis mediu a quantidade de luz recebida pelo olho. Concluiram que os dispositivos digitais emitem uma radiação altamente energética, capaz de causar danos nos olhos. Mais uma vez, as crianças são as mais afetadas, quer por causa das características dos olhos, quer por causa do tempo que passam frente a este tipo de ecrãs.

As cerca de 2000 crianças, entre os oito e os 18 anos, analisadas passam mais de 7,5 horas por dia em frente de ecrãs. Quatro horas e meia à frente da televisão, 1,5 horas à frente do computador e o restante em videojogos.