Investigadores polacos que estavam a examinar uma múmia egípcia convencidos de que se tratava de um sacerdote do sexo masculino ficaram surpreendidos quando, usando raios-x, perceberam que se tratava de uma mulher e que ela estaria grávida de sete meses. 

Esta é a primeira múmia conhecida e bem preservada de uma mulher grávida. 

A múmia egípcia foi trazida para Varsóvia em 1826 e a inscrição no caixão trazia o nome de um padre. Em 1917, foi transferida como empréstimo para o Museu Nacional dse Varsóvia, onde atualmente está exposta na Galeria de Arte Antiga. Nenhum exame anterior colocou em causa este facto.

Radiological examination of an ancient mummy, said to have been found in royal tombs in Thebes in Upper Egypt, has...

Publicado por Warsaw Mummy Project em  Quinta-feira, 29 de abril de 2021

“A nossa primeira surpresa foi que perceber que não tinha pénis, mas sim seios e cabelos longos, e então percebemos que era uma mulher e que estava grávida”, disse Marzena Ozarek-Szilke, antropóloga e arqueóloga, à Associated Press. “Quando vimos o pé e depois a mão do feto ficamos muito chocados”.

Os investigadores estimam que a mulher tinha entre 20 e 30 anos e disseram que o tamanho do crânio do bebé sugere que ela estava com 26 a 28 semanas de gravidez.

Esta é, segundo Wojciech Ejsmond, coordenador da equipa, a descoberta mais importante do Projeto Múmia de Varsóvia, que está a analisar todas as múmias que existem nos museus da cidade: "Esta descoberta é uma surpresa total. Abre possibilidades de saber mais sobre a gravidez e o tratamento de complicações na gravidez na Antiguidade.”

Os cientistas dizem que a excelente qualidade do embalsamamento sugere que ele poderá ser anterior ao século I a.C.. A mulher deveria ser membro da elite da antiga cidade de Tebas, onde os seus restos mortais foram encontrados em túmulos reais. O seu corpo foi cuidadosamente mumificado, envolto em tecidos e acompanhado por um rico conjunto de amuletos. 

Maria João Caetano