Jovem, empreendedora e bilionária, Elizabeth Holmes chegou mesmo a ser capa de revista com o título "A próxima Steve Jobs". Fez uma fortuna com a sua startup Theranos, que fabrica testes de sangue, mas veio a descobrir-se agora que o seu negócio será, afinal, uma fraude.

Holmes está acusada pelas autoridades americanas, designadamente pelo Securities and Exchange Commission, regulador de mercado, de ter cometido uma "fraude massiva", avaliada em 700 milhões de dólares (cerca de 566 milhões de euros). 

No comunicado que divulgou, o regulador fala de uma "fraude elaborada" durante um ano. A empresária atuava juntamente com o ex-presidente da Theranos, Ramesh Balwani, proferindo “numerosas declarações falsas e enganosas”, empolando e "mentindo" sobre a tecnologia que desenvolveram, os negócios e o desempenho financeiro da empresa. Tudo em apresentações, frente a frente com investidores, para convencê-los a apostar dinheiro nos seus produtos.

As "mentiras"

A acusação refere que ambos sabiam que a tecnologia que desenvolveram só podia realizar 12 dos 200 testes prometidos. Terão, ainda, recorrido a testes comercializados por concorrentes.

Já há mais de dois anos, o Wall Street Journal publicou um artigo a duvidar da tecnologia e dos métodos laboratoriais da empresa. A partir daí, esta que foi considerada uma das startups mais promissoras desta era (chegou a estar avaliada em 9 mil milhões de dólares), começou a tremer no mercado.

Na altura, Holmes assegurava que o artigo era enganador e continuava a autointitular-se uma empreendedora de sucesso: "Isso é o que acontece quando trabalhamos para mudar as coisas".

Certo é que viu os testes de sangue serem anulados nos dois anos que se seguiram e a empresa foi proibida de voltar a ter atividade no ramo da saúde. Agora, há um novo capítulo nesta derrocada empresarial. 

Da liderança para a desgraça

Perante as acusações, Elizabeth Holmes e a Theranos chegaram a acordo com a SEC para pôr, desde já, um ponto final no caso, embora não admita nem negue as acusações. A empresária vai deixar a liderança e devolver os milhões de ações da companhia, pagando ainda uma multa de 500 milhões de dólares.

Cai em desgraça no que toca ao seu futuro enquanto líder de empresas, uma vez que ficará proibida, durante os próximos dez anos, de ser diretora ou executiva de uma qualquer empresa de capital aberto. E, afinal, não se revelou "a próxima Steve Jobs".