Portugal podia gastar menos um quarto da eletricidade que consome com aposta em meios, renovação tecnológica e mudança de comportamentos, defendem investigadores portugueses num estudo cujos resultados preliminares foram divulgados esta terça-feira.

Coordenado por João Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, o estudo deverá estar pronto no fim do ano e nele se defende a ideia de que a eficiência no consumo e produção de energia pode poupar os rios portugueses à poluição e à exploração para produção energética.

Os nossos rios estão extraordinariamente ameaçados, fazemos muitos usos deles" e um dos riscos é a poluição, disse Joanaz de Melo à agência Lusa à margem de um colóquio em Lisboa sobre eficiência energética como forma de salvar os rios, o título do estudo em curso.

Uma das medidas para salvar rios é "ter soluções alternativas para produzir a energia de que precisamos" porque "a ideia de que a energia hidroelétrica é uma energia verde e limpa não é verdade", indicou.

A melhor via e a mais barata é claramente a eficiência energética. Temos um enorme potencial desperdiçado que não estamos a pôr em prática, de poupar 25 a 30 por cento em todos os setores: nas nossas casas, nos locais de trabalho, até na indústria, e nos transportes, possivelmente ainda mais", disse.

Joanaz de Melo referiu que é ainda preciso inverter o rumo dos investimentos, porque nos últimos anos, "do dinheiro público metido no setor da energia, 95% foi para aumento da capacidade, alguma necessária, alguma não", e apenas "05% para a eficiência".