O consumo de canábis foi descriminalizado em 2001 em Portugal. Quase 20 anos depois, um estudo revela que esta droga pode estar muito mais perigosa, sobretudo no que tem que ver com a dependência e a ansiedade, havendo ainda evidências de ligação a doenças mentais.

Já foram encontradas evidências de que os níveis de tetrahidrocanabinol (THC, o componente que altera o estado da pessoa que fuma a canábis) presentes na marijuana eram de 2% a 4% há 20 anos. Segundo a CNN, uma outra análise, conduzida em 2013, mostrava que esse mesmo valor já era de 25%, e alguns testes acusavam mesmo 37%, naquilo que foi descrito como "canábis de alta potência".

O estudo publicado esta quarta-feira pela revista médica Jama Psichiatry  traz novas revelações quanto ao consumo da canábis de alta potência.

Entre outras coisas, foi concluído que a maioria destes casos desenvolveu um problema de dependência, com o consumo a aumentar gradualmente. Surgiram ainda problemas ligados à ansiedade e alguns inquiridos manifestaram surtos psicóticos.

Relação entre o consumo de canábis e outras dependências ou problemas de saúde - JAMA Psichiatry

Assim que reajustaram a utilização de canábis, moderando o seu consumo, estas pessoas notaram uma diminuição destes sintomas.

Segundo o que conhecemos, este é o primeiro estudo que reporta evidências que sugerem uma associação entre doenças mentais, a dependência e a canábis", explica o estudo.

Os investigadores afirmam que "limitar o acesso à canábis de alta potência pode estar associado a uma redução do número de indivíduos que desenvolvem doenças ligadas ao consumo".

O estudo foi conduzido numa população de 1.087 participantes nascidos entre abril de 1991 e dezembro de 1992, que utilizaram com frequência esta droga no último ano no Reino Unido,

Da população analisada, 13% (141 participantes) admitiu consumir canábis de alta potência, sendo que a generalidade começou a utilizar esta droga ainda antes de atingir os 18 anos.

António Guimarães