Se hoje Vénus não tem condições para ser habitada por humanos é porque Júpiter alterou a rota do planeta à volta do Sol, indica um estudo publicado na quinta-feira na revista Planetary Science.

Júpiter, o maior planeta do sistema solar, aproximou-se e afastou-se do Sol durante a sua formação inicial e, graças a esta movimentação, a atração gravitacional destruiu qualquer hipótese de Vénus desenvolver um ambiente parecido com a Terra, afirmam os autores do estudo.

Vénus é o segundo planeta mais próximo do Sol e a temperatura do solo chega aos 471º Celsius, uma temperatura acima daquela necessária para fazer com que chumbo derreta. Embora Mercúrio esteja mais próximo da estrela, é Vénus que detém o título de planeta mais quente.

Os autores do estudo sublinham que que o movimento de Júpiter provavelmente acelerou o desfecho de Vénus como um planeta inóspito.

Conforme Júpiter migrou, Vénus pode ter passado por mudanças muito dramáticas no clima, aquecendo muito e arrefecendo abruptamente, fazendo evaporar toda a água para a atmosfera", afirmou em nota Stephen Kane, astrobiológo da Universidade da Califórnia.

 

 

A órbita de um planeta é medida entre zero e um. Quanto mais próximo de zero, mais circular é a órbita. Se a órbita for de um, o planeta seria incapaz de completar uma órbita em torno de uma estrela, perdendo-se no espaço pelo caminho.

Os cientistas descobriram que, há cerca de mil milhões de anos, quando Júpiter estava mais perto do Sol, Vénus tinha uma órbita de 0.3, significando uma maior probabilidade de que o planeta fosse habitável por seres humanos.

No entanto, com a migração de Júpiter, Vénus “foi empurrado” para demasiado perto do sol, tendo ocorrido uma mudança dramática nas condições climáticas. Hoje, o “planeta gémeo da Terra” tem uma órbita de cerca de 0.006.

Júpiter tem uma massa 2,5 vezes maior do que a junção de todos os planetas do Sistema Solar. Devido a esta magnitude, o planeta tem a habilidade de disturbar as órbitas dos corpos celestes que o rodeiam.