Investigadores nos Estados Unidos e Austrália propõem que é preciso olhar para o ecossistema inteiro para detetar casos de pesca excessiva, o que acontece maioritariamente no Sudeste Asiático.

Num estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Science Advances, Jason Link, da agência americana para os oceanos, e Reg Waston, da Universidade da Tasmânia, divulgam as conclusões da análise de 64 ecossistemas marinhos de todo o mundo.

Os trópicos, e particularmente no Sudeste Asiático, apresentam os níveis mais altos de sobrepesca, porque as espécies estão a mover-se na direção dos polos.

Sabemos que as alterações climáticas estão a mudar muitas populações para os polos, mas as frotas de pesca e indústrias associadas não estão a mudar com elas e isso já teve impactos económicos e culturais sérios", afirmou Jason Link.

Os autores do estudo notam que são capazes de seguir estas mudanças ao longo do tempo e ver como exacerbam ou contribuem para a sobrepesca dos ecossistemas.

Mesmo que as frotas localizadas nos trópicos conseguissem mudar de latitude e ignorar as zonas económicas exclusivas marinhas, não é claro que as regiões mais temperadas conseguissem absorver as mudanças nos trópicos. Em muitas regiões temperadas também há sobrepesca nos ecossistemas e a quantidade pescada não aumenta há mais de 30 anos", acrescentou.

No seu trabalho, defendem que é preciso olhar para todo o ecossistema e não apenas para as espécies de peixes para perceber casos de sobrepesca, analisando tudo, começando com as plantas e espécies animais mais pequenas, que constituem uma rede de alimentação.

Propõem que se usem três índices: o total de pescado numa zonal, o cálculo de quantos peixes podem alimentar-se das plantas no fim da cadeia alimentar e a razão entre total pescado e clorofila, outra medida da quantidade de plantas marinhas, num ecossistema.

São fáceis de determinar e interpretar, baseiam-se em dados amplamente repetidos e disponíveis, e são uma maneira prática de identificar quando um ecossistema está em sobrepresca", afirmou Link, garantindo que "acabaria com boa parte do debate sobre a sobrepesca se verifica ou não e permitiria concentrar a atenção nas soluções".