Pode ser a mais recente arma na despistagem da covid-19. A utilização de cães para detetar a doença pode ser mais rápida e eficaz que os testes PCR ou que os chamados testes rápidos.

A conclusão surge publicada esta segunda-feira na revista científica BMJ, e dá conta de que as pessoas infetadas com o coronavírus têm um odor distitno, que os cães treinados conseguem detetar de forma precisa.

É o caso de Tala, uma labradora, que, como os outros animais da sua espécie, tem mais de 300 mil recetores olfativos, ao passo que os seres humanos têm cerca de cinco mil.

O animal faz parte do grupo Cães de Deteção Médica, formado em 2008, e que utiliza uma base olfativa para ajudar pessoas com problemas, como o caso de diabetes tipo 1 ou outras condições graves, como Parkinson ou até malária.

Agora, um estudo desenvolvido com seis cães, e que ainda não foi revisto, chegou à conclusão de que os cães conseguem detetar covid-19 na roupa das pessoas infetadas com uma sensibilidade que pode ir até aos 94,3%, o que quase atinge os 97,2% dos testes PCR, sendo que os ultrapassa na rapidez de deteção. Os testes rápidos têm uma eficácia entre 58% e 77%.

Enquanto os testes PCR demoram horas para que sejam conhecidos os resultados, a utilização de cães demora segundos, e pode ser utilizada com eficácia em espaços mais amplos e com muitas pessoas, como em aeroportos, por exemplo.

Isto inclui pessoas assintomáticas e também pessoas com baixa carga viral", revelou o professor James Logan, um dos coordenadores do estudo. Recorde-se que os testes rápidos nem sempre são eficazes em pessoas com estas características.

António Guimarães