Um homem que foi diagnosticado com ébola morreu depois de ter recebido a vacina contra a doença. Apesar de ter sido considerado curado, acabou por morrer seis meses depois, na República Democrática do Congo. Adicionalmente descobriu-se que este caso originou outros 91 infeções, comprovando que a infeção pode continuar a ser transmitida nesse período.

O caso vem retratado no New England Journal of Medicine, que conclui que o vírus pode resistir no corpo para lá do tempo em que se manifestam os sintomas. Assim, pedem os especialistas que os doentes considerados recuperados sejam monitorizados, não só para garantir a segurança dos pacientes, mas também para prevenir a transmissão.

Reincidências deste género são consideradas raras, e esta é a primeira que originou um surto com vários casos.

Os cientistas acreditam também ter identificado um surto na Guiné, que estaria relacionado com um outro foco de infeção que teria terminado cinco anos antes. Acreditam os especialistas que o vírus pode ter ficado adormecido num paciente durante todo esse período.

O mais importante é percebermos que se pode ter a doença duas vezes, e que a segunda pode ser pior", referiu Placide Mbala-Kingebeni, da Universidade de Kinshasa, que ajudou na pesquisa dos casos relatados no Congo.

Apesar da descoberta negativa, os especialistas destacam que a percentagem de sobreviventes está a aumentar, mas alertam para o aumento do risco de reincidências.

O caso referido no jornal era um de um taxista de 25 anos que foi vacinado em dezembro de 2018 por ter tido contacto com alguém infetado. Em junho de 2019 desenvolveu sintomas e foi diagnosticado com a doença.

Por alguma razão, ainda desconhecida, o homem nunca desenvolveu imunidade, ou perdeu-a em seis meses, como explica Michael Wiley, especialista no vírus, que ajudou na investigação.

O homem acabou por ser tratado e foi-lhe dada alta após dois testes negativos ao ébola. Acabou por voltar a desenvolver sintomas, morrendo após complicações.

Os testes genéticos confirmaram que o vírus encontrado era muito semelhante ao inicialmente detetado, o que significa uma recaída, e não uma nova infeção.

António Guimarães