O calor sempre foi uma preocupação, mas a subida das temperaturas pode vir a ser "um monstro ainda maior", avisam os cientistas, numa altura em que o mundo está cada vez mais quente.

O próprio combate à Covid-19 despertou a comunidade científica para o que significa, de facto, viver e trabalhar sob muito calor, uma vez que os equipamentos de proteção individual (EPI), usados durante horas, expõem, por exemplo, os profissionais de saúde a temperaturas corporais elevadas, que podem, inclusive, afetar o discernimento, como explicou um médico à BBC.

É algo que, realmente, nos atinge e que se torna desconfortável depois de um turno de oito horas. Afeta o moral. Ficamos mais irritados e pouco pacientes", descreveu Jimmy Lee, médico nas urgências de um hospital de Singapura, onde o ar condicionado está desligado para evitar a propagação do coronavírus.

O pior é, no meio de tanto desconforto, ignorarem os sinais de exaustão por calor, como tonturas e náuseas, sublinhou o clínico.

Sintomas que temos tendência para desvalorizar, ou associar a qualquer outra doença, mas que nos devem manter alerta, porque podem estar relacionados com o calor. Ou seja: tonturas, fraqueza, fadiga, dor de cabeça, visão embaçada, dores musculares, náuseas e vómitos.

Numa semana marcada por altas temperaturas em Portugal, faz, por isso, sentido recordar as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para enfrentar o calor:

  • Beber água ou sumos de fruta natural, mesmo quando não tem sede, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas; 
  • Fazer refeições frias, leves e comer mais vezes ao dia;
  • Usar roupa larga, que cubra a maior parte do corpo, chapéu de abas largas e óculos de sol;
  • Manter-se em ambientes frescos, pelo menos 2 a 3 horas por dia;
  • Evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas;
  • Utilizar protetor solar com fator >30 e renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas;
  • Se trabalhar no exterior, fazê-lo acompanhado porque em situações de calor extremo poderá ficar confuso ou perder a consciência;
  • Ter especial atenção com os doentes crónicos, crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida;
  • No período de maior calor, correr persianas ou portadas; e ao entardecer deixar que o ar circule pela casa;
  • Manter-se informado relativamente às condições climáticas para poder adotar os cuidados necessários.

Na opinião de outro especialista, os equipamentos de proteção individual são "quase como um ensaio completo" para o que será viver com muito calor. 

As alterações climáticas serão um monstro ainda maior do que se pensava e nós temos de, verdadeiramente, coordenar esforços a nível mundial para nos prepararmos para o que aí vem. Caso contrário, teremos um preço a pagar", afirmou Jason Lee, professor universitário em Singapura e líder de um grupo de especialistas sobre os perigos do calor excessivo, sob a alçada da Organização Mundial da Saúde.

 

 

Catarina Machado