Várias contas de grupos feministas ou LGBT mantidas por estudantes chineses no Wechat, uma das principais redes sociais da China, foram bloqueadas, gerando apelos 'online' por protestos.

A aplicação WeChat tem mais de 1,2 mil milhões de utilizadores na China, servindo como serviço de mensagens instantâneas e carteira digital.

Esta quarta-feira, a página "ColorsWorld", da Universidade de Pequim, e a página "Orgulho Gay", da Universidade Huazhong de Ciência e Tecnologia, em Wuhan, foram encerradas e todas as mensagens difundidas anteriormente apagadas.

As páginas iniciais foram substituídas por um aviso, que aponta que "todo o conteúdo foi bloqueado e o uso da conta foi encerrado", após violações não especificadas dos regulamentos.

O aviso informa que o WeChat recebeu "reclamações" sobre as contas em questão.

As redes sociais chinesas estão responsáveis pela censura de conteúdo considerado sensível para o regime.

A censura geralmente abrange conteúdo relacionado à homossexualidade em filmes ou séries televisivas.

A "Sociedade Zhihe", um grupo de estudantes que se concentra em questões feministas ou das minorias sexuais na prestigiosa Universidade Fudan, em Xangai, confirmou também o bloqueio da sua conta no WeChat, num comunicado difundido noutra rede social.

Utilizadores do WeChat estavam a difundir listas de contas bloqueadas e a convocar protestos contra a censura 'online'. A maioria destas mensagens foi, por sua vez, censurada hoje.

A homossexualidade foi descriminalizada na China, em 1997, mas continua a ser um assunto tabu na imprensa oficial, televisão ou cinema.

/ CE