Um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience revela que pode haver um oceano líquido por baixo de uma camada de gelo em Plutão. Depois de ser anunciado que o planeta anão tem uma atmosfera sazonal, os cientistas tentaram saber mais sobre a Sputnik Planitia, que sempre foi motivo de muitas interrogações: trata-se de uma planície que poderá ter-se formado devido ao impacto de um asteroide, mas a superfície quase plana indica que será  recente, formada há algumas centenas de milhares de anos. Porém, as margens com visíveis efeitos de erosão sugerem que a Sputnik Planitia terá, afinal, muitos milhões de anos. 

A superfície aparentemente jovem é, para os cientistas, uma pista de que por baixo da superfície poderá haver água. Mas foi também descoberta uma "anomalia" gravitacional que pode explicar-se com o ocenano encoberto: se se tratar de uma cratera antiga que se encheu de água, então esta deveria estar congelada. Mas não está, e o líquido persiste, provavelmente, graças a uma camada de gás, provavelmente metano, que separa o oceano de uma superfície de gelo. 

O autor do artigo científico, o japonês Shunichi Kamata, indica que esta descoberta significa que “existem mais oceanos no universo do que o que pensávamos”, o que torna a existência de vida extraterrestre mais “plausível”, segundo o professor da universidade de Hokkaido.

Recorde-se que Plutão deixou de ser considerado um planeta em 2006, deixando o Sistema Solar com oito planetas. Desde então, Plutão é designado como um planeta anão.

A cientista Anne Verbiscer disse à PBS que esta descoberta representa um marco importante, uma vez que abre perspetivas sobre a existência de oceanos desconhecidos em planetas do Sistema Solar, o que aumenta as probabilidades da existência de vida extraterrestre.