A plataforma Facebook bloqueou, em março, mais de 600 mil anúncios na União Europeia (UE) por os considerar “enganosos”, enquanto a Google atuou contra mais de 10 mil anunciantes por deturpação da informação, foi anunciado esta terça-feira.

Os dados constam do relatório referente à atuação, em março, das empresas signatárias do código de conduta europeu contra as notícias falsas (‘fake news’), hoje divulgado pela Comissão Europeia, que realçou “o compromisso” destas plataformas para evitar a desinformação nas eleições europeias, marcadas para final de maio.

Segundo o relatório, no mês passado “o Facebook melhorou a monitorização dos anúncios”, tendo atuado “em mais de 600 mil anúncios na UE que foram considerados como problemáticos” por incluírem “conteúdos de baixa qualidade, disruptivos, enganosos ou falsos”.

Também disponível desde o mês passado, de acordo com o relatório, está uma biblioteca para anúncios políticos, tanto no Facebook, como no Instagram, rede social de fotografias comprada pela empresa de Mark Zuckerberg.

Em vigor está ainda a regra de que os anúncios políticos nestas redes sociais devem indicar, de forma explícita, quem os paga.

Relativamente à Google, é dito no relatório que a ‘gigante’ tecnológica tomou “10.234 medidas contra contas de anunciantes na Europa por violação das políticas da empresa sobre a deturpação” de factos, isto no que toca ao Google Ads, principal serviço de publicidade da companhia.

A estas acrescem 370 medidas contra donos de ‘sites’ na UE que violaram as regras do AdSense, outro serviço da Google destinado a inserir publicidade nas páginas para as rentabilizar.

Ainda assim, segundo o documento, nem todas as questões estavam relacionadas com campanhas de desinformação na UE, podendo tratar-se de fraude ou de outro tipo de infrações.

Acresce que, tal como o Facebook, a Google já rotula anúncios políticos, tendo aprovado 11 mil conteúdos publicitários neste mês e rejeitado outros 12 mil pela falta de informação para verificação, de acordo com o relatório.

Outra plataforma signatária do código de conduta foi o Twitter, que também neste mês de março passou a dispor de um processo de certificação para anúncios políticos relativos às eleições europeias.

Porém, o Twitter não forneceu a Bruxelas dados específicos sobre a sua atuação na UE, tendo apenas indicado que, entre janeiro e março deste ano, detetou 53 milhões de contas potencialmente falsas ou de ‘spam’, enquanto os utilizadores relataram a existência de 1,4 casos. A rede social adiantou que cerca de 75% destas contas foram removidas.

Outras medidas indicadas no relatório referem-se à criação de equipas para verificação dos factos (‘fact checking’) por parte do Facebook na Polónia, à formação dada pela Google para jornalistas contra a desinformação e ainda a equipas multidisciplinares do Twitter para as eleições europeias.

Numa declaração conjunta hoje divulgada, o vice-presidente da Comissão Europeia para o Mercado Único Digital, Andrus Ansip, e os comissários Věra Jourová (Justiça), Julian King (Segurança) e Mariya Gabriel (Economia e Sociedades Digitais) reagem “com satisfação” a todas estas medidas.

Porém, para os responsáveis, “ainda há muito a ser feito” para “proteger os processos democráticos da manipulação”, pelo que pedem mais medidas a pensar nas eleições europeias.