Uma simples análise ao sangue pode vir a permitir identificar mais de 50 tipos de cancro, anos antes do diagnóstico.

Este teste, conhecido por Galleri, está a ser desenvolvido pelo serviço nacional de saúde britânico (NHS) e os resultados estão a ser promissores, revela o The Guardian.

Se se provar eficaz, o Galleri pode revolucionar o diagnóstico e salvar muitas vidas, ao identificar os sintomas com a rapidez suficiente para que o tratamento imediato faça a diferença entre a vida e a morte.

Os responsáveis esperam que o teste seja particularmente útil a detetar sinais precoces de vários tipos de cancro que são difíceis de diagnosticar e têm as piores taxas de sobrevivência, tal como cancro dos ovários e do pâncreas.

Este teste promissor pode revolucionar a oncológio, ajudando milhares de pessoas a obter um tratamento bem-sucedido”, afirmou o diretor da NHS, Simon Stevens. 

Se o estudo provar que as análises ao sangue podem mesmo detetar o cancro precocemente, o Galleri estará disponível como procedimento de rotina até ao final desta década.

Lawrence Young, professor de oncologia molecular da Universidade de Warwick, admitiu que o Galleri é uma das novas análises ao sangue em desenvolvimento a detetar o cancro em fase inicial.

O estudo do consórcio que analisou este teste em 6,689 participantes tem revelado resultados muito encorajadores em mais de 50 tipos de cancro em diferentes fases de desenvolvimento", assinalou.

A NHS estima que o exame seja oferecido a mais de 165.000 pessoas em Inglaterra em meados de 2021, a grande maioria sem sintomas da doença.

Os voluntários escolhidos aleatoriamente para o estudo terão idades compreendidas entre os 50 e os 79 anos.

As análises Galleri estão a ser desenvolvidas pela Grail, uma empresa da Califórnia que junta a ciência à tecnologia para encontrar formas de identificar cancro em fase inicial.

Contudo, alguns especialistas discordam da possível eficácia do Galleri. Paulo Pharoah, professor de epidemiologia do cancro na Universidade de Cambridge, defende que a NHS está a apostar prematuramente num teste que ainda não provou que funciona.

 

Rafaela Laja