A criação de um gel para prevenir a transmissão do vírus da SIDA pelo reto foi um dos 12 projetos distinguidos pelo programa Gilead Génese 2016, apoiado em 300 mil euros pela farmacêutica Gilead Sciences.

Os projetos contemplados com estes apoios financeiros - seis científicos e seis de iniciativa comunitária - foram divulgados esta quinta-feira em Lisboa.

O Instituto Nacional de Engenharia Biomédica da Universidade do Porto propõe-se criar um produto capaz de proteger homens e mulheres contra a transmissão do VIH por via retal e evitar a sua disseminação pelo corpo.

Uma equipa de investigadores, liderada por José das Neves, irá usar partículas com um diâmetro dez mil vezes inferior a um milímetro para incutir um medicamento contra o VIH nas células suscetíveis de serem infetadas pelo vírus.

As nanopartículas, que funcionarão como um invólucro do fármaco, ajudam o medicamento a "atravessar a camada de muco que cobre os tecidos" e a aumentar a permanência da substância ativa nas células, explicou à agência Lusa o coordenador da equipa, José das Neves.

O microbicida é uma substância que destrói bactérias e vírus. Será desenvolvido em gel, devendo ser administrado antes e após um ato de sexo anal.

Candidataram-se 30 projetos

Na lista de projetos selecionados pelo programa Gilead Génese incluem-se a prevenção de infeções sexualmente transmissíveis em jovens e o rastreio e promoção da qualidade de vida de idosos seropositivos da região de Coimbra, estes de iniciativa comunitária.

Criado em 2013, o programa Gilead Génese destina-se a financiar a investigação e as boas práticas de acompanhamento de doentes, no cancro e linfomas, no VIH/sida e nas hepatites B e C.

À edição de 2016, que voltou a contar com o patrocínio do Presidente da República, candidataram-se cerca de 30 projetos nacionais, apresentados por entidades científicas, académicas e da sociedade civil.

A farmacêutica, presente em Portugal desde 2001, produz medicamentos de uso hospitalar para o tratamento da infeção pelo vírus da SIDA, das hepatites B e C, de infeções fúngicas, da fibrose quística, da leucemia linfocítica crónica e do linfoma folicular.

/ PD