A transmissão de Covid-19 nos locais de trabalho terá sido um dos principais fatores de propagação da doença. Segundo um estudo da Escola Pública T. H. Chan, da Universidade de Harvard, publicado esta terça-feira, os locais de trabalho foram essenciais para o contágio do novo coronavírus em seis países asiáticos.

O estudo analisou a propagação do novo coronavírus com base em dados de Hong Kong, Japão, Singapura, Taiwan, Tailândia e Vietname, e identificou 103 possíveis casos de transmissão entre os 690 contágios locais. Todos os casos analisados ocorreram nos primeiros 40 dias após ter sido conhecido o primeiro caso de contágio local em cada um dos países.

Segundo os investigadores, os possíveis casos de transmissão em local de trabalho terão sido responsáveis por 47% dos casos no início do surto em cada país.

Entre as profissões mais afetadas estão cargos ligados ao setor da saúde (22% dos casos), condutores e motoristas de transportes (18%), vendedores (18%), cuidadores e empregados domésticos (9%) e os profissionais de segurança (7%).

A Universidade de Harvard salienta que existem várias ocupações que comportam um maior risco de contágio, e que esses profissionais devem ser acompanhados de perto pelas autoridades de saúde. Esta questão ganha especial importância numa altura em que grande parte dos países começa a reabrir a atividade, pelo que o contágio pode voltar a aumentar, nomeadamente nos locais de trabalho.

O estudo reitera que o risco é maior junto dos profissionais de saúde, mas ressalva que não devem ser esquecidos os condutores de táxi, guias turísticos, ou trabalhadores que tenham contacto frequente com o público.

Os investigadores referem que o risco pode ser mais elevado junto destes trabalhadores pela falta de equipamento de proteção eficaz.

Outra conclusão aponta que o risco de contágio varia consoante a fase do surto em cada país. No início da pandemia, a propagação fez-se sentir, sobretudo, junto de condutores, prestadores de serviços, operários da construção civil ou funcionários religiosos.

Com o disseminar da doença, e uma maior ocupação das unidades hospitalares, o risco passou a ser maior em profissões relacionadas com a saúde ou com a segurança, nomeadamente nos agentes da polícia.

Proteger os trabalhadores de ocupações de alto risco identificadas no estudo não só ajuda a proteger os funcionários, como também evita a propagação de infeções no seio familiar, nos colegas e nos clientes", refere Fan-Yun Lan, uma das principais autoras da investigação.

António Guimarães