O cientista He Jiankui, que meio-mundo já apelidou de "Frankenstein chinês", após ter anunciado que manipulou geneticamente dois embriões, está desaparecido desde o final da passada semana.

A notícia avançada pelo jornal de Hong Kong, South China Morning Post, revela que o paradeiro de He Jiankui é incerto, sendo que um porta-voz da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China adiantou apenas que os relatos sobre a sua possível detenção seriam infundados.

Neste momento, nenhuma informação é credível, apenas os canais oficiais o são. Não podemos responder a qualquer pergunta sobre o assunto, mas se tivermos alguma informação, iremos divulgá-la através de nossos canais oficiais", adiantou o porta-voz da universidade ao jornal chinês.

No fim de semana, alguns meios de comunicação chineses divulgaram que o cientista teria sido levado para a cidade de Shenzhen, onde se localiza a universidade, e poderia estar sob prisão domiciliária, após ter revelado num simpósio científico em Hong Kong, que teria manipulado dois embriões.

Na passada quarta-feira, em Hong Kong, o cientista He Jiankui assumiu ter manipulado o ADN de dois embriões humanos com o objetivo de torná-los resistentes a infecções por VIH. Acrescentou que as meninas gémeas nasceram "normais e saudáveis" no início do mês passado.

Antes da controvérsia, segundo o jornal South China Morning Post, o cientista era uma estrela em ascenção no mundo científico chinês, tendo recebido apoios do estado na ordem dos cinco milhões de euros.

Após revelar ter modificado embriões antes do nascimento das duas bebés, passou a ser alvo de uma investigação por parte da Comissão Nacional de Saúde da China, após uma fonte do Ministério da Ciência e Tecnologia ter afirmado que o seu trabalho era "extremamente abominável".