A China diz que são “infundadas” as acusações de vários países e instituições internacionais sobre a alegada ligação de Pequim ao ciberataque global contra a Microsoft, que afetou sistemas de computadores em todo o mundo.

As acusações feitas pela UE [União Europeia] e OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não têm como base factos ou evidências, mas antes especulações e acusações infundadas. Opomo-nos firmemente e de forma alguma aprovamos estas declarações”, afirmou a embaixada da China na UE.

Os Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Japão, Austrália e Nova Zelândia uniram-se, na segunda-feira, para denunciar ciberataques de grande amplitude realizados a partir da China.

Enquanto a administração norte-americana culpou diretamente o Ministério de Segurança do Estado da China pela execução dos ciberataques, a União Europeia limitou-se a exortar Pequim a não permitir que o seu território seja utilizado para ataques informáticos.

A embaixada da China em Camberra acusou a Austrália de “seguir os passos e repetir a retórica norte-americana”.

A mesma fonte disse que o país é “cúmplice das atividades de escuta no âmbito da Aliança dos Cinco Olhos [reúne também Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia]”.

A missão diplomática chinesa na Nova Zelândia exprimiu-se em termos semelhantes, acrescentando que se trata de uma acusação “irresponsável”, e assinalou que apresentou queixa formal às autoridades.

No Canadá, os diplomatas chineses qualificaram a acusação como uma “difamação maliciosa”.

A China afirmou, nos diferentes comunicados, ser também “vítima de ciberataques”, e defendeu o seu fim, “de acordo com a lei”.

As embaixadas chinesas nos Estados Unidos, Japão e Reino Unido não reagiram ainda àquelas acusações.

As delegações chinesas acusaram, em particular, os Estados Unidos, de serem “a maior 'matriz' do mundo”, no que toca a ciberataques.

O ataque de março passado afetou até 250.000 sistemas de computador em todo o mundo, incluindo a Autoridade Bancária Europeia, o Parlamento norueguês e a Comissão do Mercado Financeiro do Chile.

Os países e instituições envolvidos evitaram para já impor sanções ao país asiático.

As relações entre a China e os Estados Unidos deterioraram-se rapidamente, nos últimos anos, face a uma prolongada guerra comercial e tecnológica e divergências sobre questões dos direitos humanos ou o estatuto de Hong Kong, Taiwan e a soberania do Mar do Sul da China.

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