Uma japonesa que perdeu a capacidade pulmonar devido a covid-19 recebeu um transplante de parte dos pulmões do seu marido e filho, a primeira operação do género a nível mundial, anunciou o Hospital da Universidade de Kyoto.

Segundo a Universidade, citada pela agência Kyodo, vários transplantes de pulmões foram feitos a vítimas do novo coronavírus ao longo do último ano, nos Estados Unidos, China e nalguns países europeus, recorrendo a órgãos de dadores em morte cerebral, mas este é o primeiro transplante de dadores vivos.

O recurso à família da paciente, que perdeu a capacidade respiratória devido ao endurecimento e encolhimento dos seus pulmões, foi uma pioneira opção de recurso, dado que no Japão o tempo de espera por órgãos pode demorar até 2 anos e meio, devido a escassez de dadores.

A operação teve a duração de 11 horas, envolvendo a remoção de parte de pulmões saudáveis - o esquerdo do marido e o direito do filho da paciente - que foram transplantados.

Os dadores estão em situação estável e a paciente encontra-se nos cuidados intensivos, esperando-se que tenha alta dentro de dois meses, afirmou o hospital.

Pai e filho ofereceram-se para doar os pulmões, depois de saberem pelos médicos que um transplante era a única esperança de vida para a paciente, ambos aceitando que depois da operação teriam a sua capacidade pulmonar reduzida.

A paciente foi infetada com o novo coronavírus no final do ano passado, não tendo antecedentes clínicos graves, e a sua capacidade pulmonar degradou-se de forma rápida, tendo desenvolvido uma pneumonia grave.

Hiroshi Date, cirurgião torácico que realizou a operação afirmou que o tratamento “traz muita esperança, pois cria uma nova opção” para casos semelhantes.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.890.054 mortos no mundo, resultantes de mais de 133 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.899 pessoas dos 825.633 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ JGR