O programa Magalhães é uma iniciativa positiva, mas todo o potencial que tem está ainda longe de ser plenamente aproveitado. É esta a posição que o Grupo de Alto de Nível (GAN) da Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) vai transmitir quarta-feira durante uma sessão em que participarão vários especialistas.

«Considera-se a iniciativa positiva, mas falta fazer muito para tirar proveito do potencial que está associado ao próprio projecto Magalhães», disse à Lusa o presidente da APDSI, que quarta-feira apresenta em Lisboa uma avaliação sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no Ensino Básico, centrada no computador concebido para as crianças dos primeiros anos de escolaridade.

De acordo com o documento a apresentar, a iniciativa «abre um vasto leque de oportunidades económicas, sociais e políticas, podendo constituir uma importante componente da exportação de tecnologia, de conteúdos e de know-how», especialmente para países de língua oficial portuguesa. O problema, refere ainda o documento, é que dentro de portas «não tem havido esforço suficiente na captação dos intervenientes nos processos de ensino/aprendizagem, nem na mobilização dos docentes».

Sem uma renovação destes processos, o investimento «corre o risco de não ser potenciado», defende o GAN. O grupo que estudou esta questão adverte que o modelo de utilização actual induz uma atitude «consumidora» e não «produtora de conteúdos».

O GAN considera necessário garantir «o total alinhamento dos projectos educativos e dos programas oficiais e investir na reformulação completa dos programas educativos». Estes «deverão recorrer de forma sistemática ao Magalhães, ao seu software e conteúdos, para ministrar os conhecimentos da política educativa».

Entre as recomendações está também a distribuição de manuais escolares em formato digital.

O Governo decidiu prosseguir o programa Magalhães, encetado na anterior legislatura. O processo de inscrições para os alunos do primeiro ano de escolar está em curso até 15 de Dezembro, no âmbito do Plano Tecnológico da Educação.
Redação / AR