O investigador da Universidade de Coimbra e coordenador do projecto Vigilis (que avalia o nível de segurança da Internet portuguesa), Francisco Rente, afirmou que continuam a existir «muitas vulnerabilidades» nesta matéria em Portugal.

Em declarações à Lusa, a propósito do Dia Mundial das Redes Sociais que se assinala esta quinta-feira, o investigador apontou o desconhecimento/iliteracia e o facilitismo dos portugueses como as principais razões dos níveis de insegurança na Internet portuguesa.

« Muitos desconhecem o perigo e outros, apesar de saberem que o perigo existe, desconhecem a maneira de se proteger. A outra grande razão resulta de um certo facilitismo, que tem um pouco a ver com a nossa veia latina», considerou.

As pessoas «não percebem que, mesmo que não tenham lá a sua conta bancária, o computador poderá ser utilizado para crimes e que eles, enquanto proprietários, serão inevitavelmente responsabilizados», alertou.

«Dos estudos que tenho feito ao longo dos anos, o desconhecimento/iliteracia e o facilitismo são as principais razões no nível de insegurança que persiste na Internet portuguesa, apesar dos níveis de risco terem abrandado», frisou.

Um «caso evidente» desse facilitismo são as redes sociais e, nomeadamente, o Facebook.

« Vemos cada vez mais pessoas a divulgar informação privada sem terem noção dos problemas que isso lhes pode trazer, a nível pessoal e profissional. Os utilizadores disponibilizam mais facilmente informação sobre a sua vida privada do que, por exemplo, sobre a música que ouvem», disse.

O coordenador do projecto Vigilis aconselha, por isso, os utilizadores das redes sociais e da Internet em geral a «tomar consciência dos perigos». Um «caminho de auto-instrução» é outra recomendação.

«Na Internet há imensos projectos, como o Vigilis, que disponibilizam informação na tentativa de explicar o que se pode fazer para se proteger, mas isso passa sempre por tomar a iniciativa de querer aprender», frisou.

Sobre a utilização das redes sociais pelos jovens, o investigador alerta para a necessidade de «explicar o que está em causa».

Na sua opinião, «muitas vezes basta explicar que dizer determinada coisa no Facebook não é a mesma coisa que contá-la a um grupo de amigos e que expor a parte privada da sua vida ao público, abertamente, pode influenciar, por exemplo, numa entrevista de trabalho numa futura carreira».

Para o responsável, «passará pelo modelo de educação de cada família, mas acho que é mais benéfico explicar o que é que está em causa do que proibir ou bloquear».

No início deste ano foi divulgado um estudo coordenado por Francisco Rente que dava conta da existência de mais de 75 mil vulnerabilidades técnicas detectadas nos cinco milhões de endereços electrónicos e 86 mil domínios .pt activos existentes em Portugal.

Roubo de informação, intercepção ou adulteração de comunicações (telefones e e-mail) e possibilidade de comprometer sistemas (ganhar controlo sobre eles) são os grandes grupos de vulnerabilidades detectados pelo Vigilis.

Este projecto classifica o nível de segurança da Internet portuguesa como «perigoso», o segundo numa escala de quatro.
Redação / CP