Os riscos que as pessoas correm quando navegam na Internet são semelhantes aos do dia-a-dia, mas como podem ter consequências maiores devido a dimensão das interacções é fundamental saber utilizar este meio com segurança, alertou um especialista, avança a Lusa.

O alerta foi lançado pelo presidente da Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC) na véspera da reunião ministerial em Praga sobre segurança na Internet «Safer Internet for Children - fighting together against illegal content and conduct online».

«Todas as situações que alguém possa considerar desagradáveis na vida real podem replicar-se na Internet. Os riscos não são diferentes aos do dia-a-dia, o que muda é a dimensão das formas de contacto e de interacção, que são amplificadas», explicou Luís Magalhães.

É por isso que todas as pessoas «têm de ter a noção que estão a interagir com um mundo gigantesco onde, mesmo estando no conforto das suas casas, podem ter um encontro indesejável com alguém que as pode assediar, roubar, ameaçar ou até violentar física ou psicologicamente», acrescentou.

Internet desde os seis anos

Com três em cada quatro crianças europeias entre os seis e os 17 anos a terem acesso à Internet e metade das crianças de dez anos a possuírem um telemóvel, é importante «consciencializar e capacitar os mais jovens para uma utilização mais segura e consciente» dos serviços oferecidos na web.

«Qualquer pessoa com acesso à Internet tem um mundo de informação e contactos ao seu dispor, pelo que é imprescindível, para aproveitar ao máximo as suas potencialidades, saber como se deve lidar com este meio», salientou o presidente da UMIC.

As eventuais ameaças que as crianças podem encontrar na Internet é uma das principais preocupações dos pais na Europa, segundo o Eurobarómetro divulgado no final de 2008, que dava conta que 60 por cento dos progenitores temem que os seus filhos possam ser vítimas de aliciamento («grooming»), enquanto 54 por cento receiam as intimidações, assédios e ameaças on-line («cyberbullying»).

Intrusão e roubo de identidade são os maiores riscos

A intrusão e roubo de identidade e dados são as práticas mais comuns que atingem quem utiliza a Internet em Portugal, enquanto a maioria das denúncias de conteúdos ilegais referem-se a pornografia infantil, adiantou o especialista.

«Do ponto de vista da perturbação da utilização da Internet, as questões de intrusão e de roubo de identidade (apropriação de dados de acesso pessoais como pins ou passwords) continuam a ser uma das mais críticas e comuns em Portugal», explicou Luís Magalhães, especialmente quando se trata de roubo de dados de acesso bancários.

Quanto às denúncias de conteúdos ilegais que chegam ao site português especializado em segurança on-line «linhaAlerta.internetsegura.pt», a funcionar desde Julho de 2007, o presidente da Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), uma das entidades responsáveis pelo projecto, explicou que o número mensal «continua a ser bastante limitado».

«As denúncias têm-se mantido estáveis. Recebemos cerca de 12 a 15 denúncias [efectivas] por mês», explicou, precisando que «a maior parte das detecções referem-se a conteúdos de pornografia infantil e pedofilia», sendo «os conteúdos xenófobos e de violência marginais».

Luís Magalhães adiantou que do total das denúncias de conteúdos na Internet, como sites pedófilos, xenófobos, de violência extrema ou outros que constituam crimes públicos, a «percentagem que vem de sítios residentes em Portugal é muito pequena, na ordem dos 10 por cento».

Por outro lado, o presidente da UMIC explicou que, se os conteúdos ilegais forem portugueses, a denúncia é «comunicada de imediato às autoridades nacionais para posterior investigação e eventual acção judicial».

A rede internacional integra actualmente 30 linhas de atendimento de denúncias em mais de 27 países europeus e não europeus.
Redação / AP