Uma investigação que juntou empresas e universidades de Portugal e outros países criou um plástico biodegradável, para cobrir várias sementeiras, com produtividade semelhante ao convencional e que poderá contribuir para a redução do consumo de água e de pesticidas.

A cientista do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade Técnica de Lisboa Elisabete Duarte, que participou na investigação, explicou esta segunda-feira à Lusa que o projeto destes plásticos amigos do ambiente chegou a «um produto que se adapta às culturas [de ciclo curto ou longo], com um desempenho em termos de produtividade idêntico ao do plástico convencional e uma qualidade, por vezes, superior».

Por outro lado, «há fortes indícios de que permitirá diminuir o consumo de água, de pesticidas e de fungicidas», acrescentou a especialista, realçando, no entanto, a necessidade de «fazer mais experimentação porque cada cultura tem as suas especificidades» e as doenças ou pragas que afetam cada uma são diferentes.

O projeto comunitário, chamado Agrobiofilm, juntou três Pequenas e Médias Empresas (PME), incluindo a portuguesa Silvex, que coordenou o trabalho, e centros de investigação de Espanha, França, Noruega e Dinamarca, além do ISA, e é um exemplo do trabalho conjunto entre indústria e ciência.

Tanto o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, como a secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, têm apelado à aproximação entre empresas e investigação científica de modo a que o conhecimento obtido seja aplicado na indústria e contribua para a competitividade portuguesa.

Várias unidades agrícolas, principalmente hortícolas, utilizam a chamada plasticultura, ou seja, a utilização de plásticos convencionais, de polietileno, para proteger as sementeiras de culturas como o melão, a meloa, os pimentos ou os morangos, aumentar a produtividade e antecipar a data da colheita, conseguindo exportar mais cedo.

«É possível aumentar as produtividades pois evita as ervas daninhas, por exemplo, por a planta estar num ambiente mais controlado, sempre com o grande objetivo da maior produção e de não comprometer a qualidade», explicou Elisabete Duarte.

No entando, a especialista realça que esta solução [uso de plásticos] tem um problema ambiental, uma vez que «está a ser feita com plásticos convencionais», cuja degradação «é muito lenta».

Elisabete Duarte salientou que, quando acaba a cultura e os plásticos são retirados, «o destino normalmente são os aterros».

«Mas há práticas incorretas e chegavam a queimá-los e a enterrá-los no solo» o que dá origem a «poluição complicada de solos», afirmou.

Foi para resolver este problema que surgiu o desafio de substituir os plásticos convencionais por produtos amigos do ambiente, integrados no solo juntamente com os restos das culturas e biodegradados com os microorganismos e flora presentes no terreno, sem pôr em causa a produtividade.

O estudo foi feito com culturas de melão, meloa, corgetes, pimentos (de ciclos curtos, três ou quatro meses), morangos (mais longo 8 meses) e até vinha, uma alternativa seguida pelo parceiro francês, que aplicou o agrobiofilm em vinhas novas.
Redação / PP