Uma investigação desenvolvida pelo Instituto Nacional de Investigação Científica de Montreal, no Canadá, concluiu que é possível tornar objetos invisíveis, o que permite melhorar as telecomunicações e até tornar edifícios invisíveis a terramotos.

Não, não é um género de capa de Harry Potter. Mas sim uma técnica desenvolvida pela equipa de investigação que permite tornar objetos invisíveis e resolver problemas que existem nas telecomunicações para já. A equipa vai prosseguir com a investigação, de modo a alcançar maiores feitos futuramente.

Os nossos resultados são possíveis graças aos fundos públicos que se destinam à investigação e por isso são do domínio público. O desenvolvimento contínuo conseguido graças à investigação altera as possibilidades do futuro”, revela o espanhol José Azaña, que participa do estudo, ao jornal El País.

Considerando os termos técnicos necessários para o entendimento desta descoberta, tem que se ter noção que a luz é uma oscilação que se propaga no vácuo com uma certa variação no tempo, que dá origem a frequências, frequências essas que determinam as cores para a luz. Numa determinada faixa de frequências podemos observar as cores e essa faixa de cores é chamada de espectro de luz visível.

A investigação, baseada no efeito Talbot, pode ser utilizada para resolver determinados problemas atuais a nível de telecomunicações.

Por exemplo, reorganizando o espetro da energia de sinais, as interferências, o ruído e a dispersão de sinal iriam diminuir tal como outros efeitos indesejados que afetam a transmissão de dados hoje em dia”, afirma Carlos Rodríguez Fernández-Pousa, professor da Universidade Miguel Hernández de Elche.

Um aspeto muito interessante desta investigação é o facto de ser possível generalizar os resultados a ondas de diversa natureza, o que poderá abrir portas a futuras aplicações em isoladores térmicos e acústicos, ou mesmo para tornar edifícios "invisíveis" a terramotos, generalizando estes resultados para ondas térmicas ou ondas mecânicas, respectivamente.

Estamos a trabalhar para generalizar as equações para fazer um objeto invisível em duas dimensões. E se for possível, queremos chegar a implementar a técnica a objetos macroscópicos tridimensionais” diz José Azaña.

As soluções convencionais da invisibilidade baseiam-se em alterar a propagação da luz à volta de um objeto e ocultá-lo.

O problema é que as diferentes cores ou frequências do espectro de luz requerem diferentes intervalos de tempo para atravessar o dispositivo de invisibilidade. E como resultado, a distorção temporal criada à volta do objeto revela a sua presença, arruinando o efeito de invisibilidade”, explica o professor José Azaña, líder da investigação.

A solução inovadora proposta pela equipa de investigadores evita este problema, permitindo que as ondas se propaguem através do objeto, em vez de rodeá-lo, evitando assim qualquer distorção detetável nas ondas à volta do objeto.

A chave desta técnica está em mover primeiro as frequências de luz para zonas do espectro que não serão afetadas pela reflexão ou propagação da luz através do objeto a ser escondido.

Por exemplo, se o objeto é verde, é porque reflete a luz dessa frequência, então a luz na zona verde do espectro poderia mover-se para a zona azul de modo a que, ao atingir o objeto, não existisse luz verde a ser refletida. Assim, uma vez que o objeto é contornado, o dispositivo de invisibilidade inverte esta mudança de frequência reconstruindo o estado inicial da onda.

Dessa forma, nem o objeto a ser escondido nem o próprio dispositivo de invisibilidade são detectados", diz o investigador.