O Facebook prepara-se para um dos dias mais importantes dos seus oito anos de vida online, com a entrada em bolsa esperada para esta sexta-feira. Seja qual for o desfecho da Oferta Pública de Venda (OPV), uma coisa é certa: o domínio da rede social continuará a ser de Mark Zuckerberg.

O co-fundador do Facebook assegurou 57,3 por cento do poder de voto sobre as ações, garantindo assim a continuidade como maior acionista da rede social.

Com esta operação, Zuckerberg verá a sua «fatia» do Facebook valorizar para cerca de 19 mil milhões de dólares (quase 15 mil milhões de euros). Nada mau, para um jovem que celebrou apenas 28 anos na segunda-feira (ainda assim, é três anos mais velho do que Steve Jobs quando a Apple se lançou na mesma aventura, em 1980).

O CEO do Facebook é conhecido pela sua informalidade a vestir, quase sempre com camisolas de capuz e sapatilhas. O ano passado, quando se reuniu com os líderes mundiais na cimeira do G8, surpreendeu de fato e gravata. Nunca fala da sua vida privada e já processou uma revista que publicou documentos com informações sobre o seu passado. Estranho, para alguém que criou uma rede social que se baseia precisamente na partilha de informações pessoais.

David Kirkpatrick, que escreveu o livro «The Facebook Effect», diz que a genialidade está na sua compreensão da necessidade de interação, sem ter de fazer parte dela. «Zuckerberg pensou: quero aproveitar o facto de a partilha ser o futuro. E criou a tecnologia para isso».

Mark Zuckerberg cresceu em Dobbs Ferry, Nova Iorque, e aos 10 anos já escrevia em código binário no seu computador Atari. De inventor de jogos e de ferramentas web, «Zuck», como os amigos lhe chamavam, passou a co-fundador de um dos maiores sucessos da Internet.

Segundo os ex-colegas de Harvard, foi no início de 2004 que Zuckerberg, inspirado nos livros da faculdade que incluíam os nomes e as fotos de todos os alunos (chamavam-se «facebooks»), se fechou no dormitório durante uma semana e criou o Facebook, com a ajuda dos colegas de quarto Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz e Chris Hughes.

Ainda no mesmo ano, os gémeos Cameron e Tyler Winklevoss e o amigo Divya Narendra acusaram Mark de ter roubado a sua ideia, quando o contrataram para escrever código binário para a sua própria rede social, em novembro de 2003. A disputa judicial acabou com a empresa a pagar 65 milhões de dólares (cerca de 51 milhões de euros) aos três. A história serviu de base ao filme de 2010 «The Social Network».

O crescimento foi astronómico, mas o co-fundador nunca teve uma vida extravagante. Viveu numa casa alugada quando já era bilionário e agora partilha uma casa de sete milhões de dólares com a namorada, Priscilla Chen, e o cão Beast, em Palo Alto, Califórnia. A família continua a viver do seu negócio, uma clínica dentária, e os Zuckerberg não fazem questão de ser estrelas das revistas sociais.

O Facebook está cada vez mais apetecível. Ao longo dos últimos oito anos, Zuckerberg recusou ofertas da Yahoo, da Google e da Microsoft. «Nós não criamos serviços para ganhar dinheiro; nós ganhamos dinheiro para criar serviços melhores», escreveu o próprio na carta incluída na regulamentação necessária para a OPV.

Esta sexta-feira, Mark Zuckerberg vai ser «julgado», pela primeira vez, não pelos utilizadores, mas pelos mercados. Nas últimas semanas, o jovem tem feito de tudo para convencer os investidores, mas a bolsa não é propriamente um campo previsível.

O que parece certo é que não serão as ações a mudar a personalidade do jovem que se fechou num quarto durante uma semana para criar uma rede de partilha de informações, como demonstra esta mesma carta: «O Facebook não foi originalmente criado para ser uma empresa. Foi construído para cumprir uma missão social: tornar o mundo mais aberto e interligado».
Catarina Pereira