Um homem na faixa dos 40 anos, uma mulher de cerca de 30 e dois adolescentes. Foi neste grupo que as autoridades nipónicas detetaram uma nova variante do vírus que provoca a doença covid-19.

Esta nova estirpe, sabemos, traça algumas semelhanças com aquelas já encontradas no Reino Unido e na África do Sul. No entanto, ainda há muitas interrogações a que as autoridades de saúde não sabem responder. Nomeadamente, a infecciosidade, patogenicidade ou o impacto nos testes e vacinas.

Ainda assim, é oportuno verificar aquilo que a ciência sabe de momento.

Esta nova variante pertence à linhagem B.1.1.248 e tem 12 mutações na proteína Spike - também conhecida por proteína de pico e responsável por penetrar as células - , incluindo a N501Y e a E484K.

De acordo com um estudo realizado pelo Consórcio Genómico do Reino Unido, a mutação N501Y “está associada a um maior grau de infecciosidade e de virulência”, ou seja uma elevada capacidade de se multiplicar num organismo e de provocar a doença covid-19.

Esta mutação também está noutras variantes descobertas, incluindo a do Reino Unido e a da África do Sul.

Já a mutação E484K, diz o ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, sugere possíveis mudanças na capacidade do sistema imunitário de provocar a formação de anticorpos como reação à presença do novo coronavírus no nosso corpo.

Isto acontece porque, explica o governo japonês, a E484K é uma “mutação de escape”, uma alteração do gene que dificulta a ação dos anticorpos em inibir o avanço do vírus no sistema humano.

Ademais, dados experimentais revelam que esta mutação foi encontrada durante tratamentos com plasma convalescente - plasma que regista anticorpos desenvolvidos naturalmente pelo corpo pós-infeção.

Este fator sugere uma diminuição de 10 vezes na capacidade de neutralização (do vírus) utilizando plasma convalescente”, denota o Ministério da Saúde, do Trabalho e do Bem-Estar.

Os doentes infetados com a nova estirpe testaram positivo à chegada ao aeroporto internacional de Tóquio, no dia 2 de janeiro, num voo proveniente do Brasil.

Em comunicado, o Ministério da Saúde do Brasil informou que os quatro passageiros chegaram à capital nipónica "após uma temporada no Amazonas".

A autoridade japonesa refere ainda que, no dia 6 de janeiro de 2021 foi detetada uma variante do vírus que regista na sua constituição a mutação E484K da proteína Spike e que também pertence à linhagem B.1.1.248. No entanto, o governo reporta que esta “não é idêntica à nova variante detetada no Japão”.

O Japão registou 34 infeções com estirpes detetadas recentemente no Reino Unido e África do Sul, incluindo três casos de transmissão local, dois dos quais com origem numa pessoa que tinha estado no Reino Unido. Perante o aumento de novas infeções diárias devido ao novo coronavírus, o primeiro-ministro Yoshihide Suga decretou o estado de emergência com o período de um mês.

Desde o início da pandemia, o Japão registou mais de 280 mil casos de covid-19, além de cerca de 4.000 mortes provocadas pela doença.