Um grupo de cientistas descobriu uma série de lagoas subterrâneas em Marte, perto do polo sul do planeta, a cerca de 1,5 quilómetros abaixo da superfície gelada.

Há dois anos, um grupo de investigadores detetou aquilo que pensavam ser um lago salgado no planeta. Agora, um novo estudo veio confirmar a “natureza liquida” desse lago e revelar novos dados, nomeadamente a existência de outras três lagoas bem próximas.

A investigação analisou dados recolhidos pelo radar MARSIS (sigla em inglês para Mars Advanced Radar for Subsurface and Inosphere Sounding), da Mars Express, a missão espacial não tripulada da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana.

Publicado na revista científica Nature Astronomy, o estudo concluiu que o lago subterrâneo detetado há dois anos terá cerca de 30 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

Por outro lado, revela que existem “outras manchas de água” de menor extensão bem próximas. Estas três lagoas têm tamanhos diferentes e estão separadas do lago principal por faixas de terra.

Os cientistas referem que o facto de o lago e as lagoas serem de natureza liquida sugere que estas reservas de água sejam “hipersalinas”, isto é, que contenham muitos sais. A existência de sais evita que a água congele num ambiente frio. Esta é a hipótese mais provável para explicar a sua existência por um longo período de tempo, uma vez que não há calor suficiente nas profundidades do planeta para derreter o gelo.

Embora a existência de um único lago sub-glacial possa ser atribuído a condições excecionais, como a presença de um vulcão sob a camada de gelo, a descoberta de um sistema de lagos implica que o seu processo de formação é simples e comum e que esses lagos provavelmente existiram durante grande parte da História de Marte”, explicou Roberto Orosei, co-autor do estudo, em declarações à BBC.

Uma vez que a água liquida é essencial para a existência de vida, este estudo veio dar uma nova força à possibilidade de vida microbiana em Marte. Há um senão importante: o facto de estes lagos serem extremamente salgados pode dificultar a sobrevivência de qualquer microrganismo.

As concentrações muito elevadas de sal não são amigas da existência de vida. A possibilidade ainda existe, mas é necessários recolher mais dados", vincou Roberto Orosei.

Neste sentido, os cientistas vão continuar a analisar os dados recolhidos pela Mars Express, que permitam clarificar estas e futuras novas descobertas.

Sofia Santana