As toalhas que usamos todos os dias em casa para secar o corpo, o rosto ou as mãos constituem verdadeiros locais de cultivo de bactérias e fungos, além de acumularem células mortas da pele, secreções salivares, anais e urinárias. Para piorar, as toalhas também podem acumular ácaros e outros agentes prejudiciais à saúde, alertam cientistas citados pela BBC News.

Os mesmos cientistas realçam que aqueles pedaços de tecido têm muitas das condições indispensáveis para garantir a vida dos micróbios, entre elas água, temperatura alta e oxigénio. Quando uma pessoa se seca com a toalha, os micróbios e secreções do corpo ficam depositados no tecido. Estes resíduos celulares, em contacto com o oxigénio do ambiente, servem de alimento para os micróbios. E a humidade constante da casa de banho fá-los sobreviver e reproduzirem-se.

A maioria dos micróbios que se depositam nas toalhas acabam por ser inofensivos, já que provêm do corpo de quem utiliza a toalha. Mas eles ficam ali, no tecido, a multiplicar-se rapidamente. E tudo muda para pior se as toalhas forem partilhadas, já que o corpo fica exposto aos micróbios do outro. E há mais: as toalhas também podem acumular micróbios que estão presentes na própria casa de banho.

Além das toalhas, os lençóis da cama são outra ameaça à saúde. De acordo com um estudo da revista Women's Health, 44% das mulheres inquiridas trocam os lençóis e as toalhas uma vez por semana. Mas 47% fazem isso duas vezes por mês ou até menos.

Não há dados científicos para determinar exatamente com que frequência devemos trocar os lençóis e as toalhas”, diz à BBC a cientista Sally Bloomsfield, especialista em doenças infeciosas e consultora do Fórum Científico Internacional de Higiene do Lar.

Mas a mesma especialista acrescenta que há provas de que existem riscos de infeção dentro de casa: desde infeções na pele até uma variedade de doenças como as que podem ser causadas por bactérias Escherichia coli ou Staphylococcus aureus.

Sally Bloomsfield deixa por isso algumas pistas para minimizar os riscos de infeção.

Em primeiro lugar, a cientista aconselha a que não se partilhe com mais ninguém a própria toalha, principalmente a de mãos, bem como outros objetos de higiene pessoal.

Quanto ao intervalo para substituir as toalhas, os cientistas acreditam agora que até uma semana é tempo demais para utilizar uma toalha, ao contrário do que defenderam durante vários anos.

Se conseguir secá-las [as toalhas] completamente, não deve usá-las mais do que três vezes. Este é o [tempo] máximo”, aconselha Philip Tierno, microbiólogo e patologista da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque em entrevista ao Business Insider.

De acordo com os especialistas, o ideal é que, entre um uso e outro, a pessoa consiga secar a toalha por completo.

Bactérias e mofo começam a acumular-se, mas o crescimento é refreado à medida que a toalha seca", explica Kelly Reynolds, professora de saúde ambiental da Universidade do Arizona.

Sally Bloomsfield é mais radical e acredita que as toalhas deveriam ser lavadas após cada uso. Caso não seja possível, "é preciso enxaguá-las imediatamente depois do uso e secá-las muito bem", acrescenta a especialista. Só assim se evita a rápida proliferação de bactérias, especialmente se a casa de banho não tiver janelas ou ventilação.

Para fazer uma correta limpeza e eliminação das bactérias nas toalhas, Sally Bloomsfield aconselha a lavagem com a temperatura da água superior a 60 graus ou, caso seja abaixo disso, com detergentes compostos com agentes branqueadores que contenham oxigénio na sua base. Se as condições atmosféricas o permitirem, o ideal é secar a toalha ao ar livre. 

A especialista deixa um último sinal de alerta: assim que tiverem cheiro a humidade, as toalhas devem ser lavadas o mais rapidamente possível. Isto porque o cheiro a humidade é um sinal de que os micróbios se estão a reproduzir no tecido.