Os dispositivos electrónicos de leitura, ou e-books readers, não só descuram as necessidades dos consumidores, como ainda levantam problemas de usabilidade. Quem o diz é o investigador e docente José Afonso Furtado, que acompanha desde o início a evolução dos livros e alerta para a necessidade de ponderar sobre os e-book antes de os adquirir.

O primeiro leitor de livros electrónicos surgiu em 1998 mas, mas 11 anos depois, «continuam a haver problemas de incompatibilidade de formatos e extremas dificuldades em ler, independentemente dos dispositivos, ficheiros que foram comprados, o que é inaceitável para o consumidor», salienta José Afonso Furtado à Lusa.

«Eu, quando compro um livro impresso, leio-o em qualquer sítio. Agora, se eu comprar um livro para o Kindle, só o posso ler no Kindle e isso é algo que não passa pela cabeça de ninguém», critica o também director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Para tornar o ficheiro legível, «é preciso enviá-lo para a Amazon que, mediante pagamento, o converte», explica José Afonso Furtado, para quem um investimento neste tipo de aparelhos deve ser bem pensado.

Outros aspectos a ter em conta são os «direitos territoriais» dos conteúdos ou a existência de um protocolo entre a marca do leitor e uma operadora telefónica nacional, alerta.

O docente da pós-graduação em «Edição: Livros e Novos Suportes Digitais», da Universidade Católica Portuguesa, destaca ainda que os e-book readers, com ecrãs a preto e branco, não são adequados para todo o tipo de documentos. Isto porque inviabilizam, por exemplo, a interpretação de gráficos ou mapas, que usualmente recorrem a cores que o monitor não reproduz.