O caminho dos humanos para Marte começará na Lua, disse à agência Lusa o investigador da NASA Jim Garvin, que acredita que nos próximos vinte anos poderá haver uma missão tripulada à órbita do planeta, dependendo da vontade política e do investimento.

Voltar à Lua é um imperativo, porque vai dar-nos o treino, as ferramentas, a engenharia e tudo em conjunto", disse em entrevista em Lisboa, à margem da Global Exploration Summit, que decorre em Lisboa de hoje até sexta-feira.

James Garvin, que chefiou o departamento científico da agência espacial norte-americana entre 2004 e 2005, frisou que "fazer as coisas mais difíceis no Espaço, como levar pessoas até Marte, milhares de vezes mais longe que a Lua, é um problema de engenharia que pode ser resolvido".

Exigirá investimento, como tudo, é só uma questão de prioridades políticas. Mas os engenheiros estão prontos para ir, hoje", e ainda nem acabaram de inventariar todas as oportunidades que estender a presença humana para além da Terra oferece.

Ir à Lua é ter acesso a "mil milhões de história da Terra" que ali estão preservados, é "uma oportunidade para ter um posto avançado sustentável com homens e mulheres no modelo da Estação Espacial Internacional e isso transformar-se-á no que venha a seguir: colónias, entretenimento, turismo espacial, extração de recursos".

O regresso ao satélite natural da Terra terá que ser acompanhado de um "modelo de negócio espacial" que não existia quando a primeira missão tripulada chegou à Lua em 1969.

Os registos na Lua estão perfeitamente preservados. É como entrar no túmulo de Tutankhamon e ver pela primeira vez o registo intocado de uma civilização diferente. Só que, na Lua, é a história do nosso sistema solar", ilustrou.

Além disso, será "um lugar para treinar e aprender a viver e trabalhar no Espaço profundo".

A partida para Marte "depende da vontade da comunidade global", mas um dos passos preparatórios nessa viagem de 80 milhões de quilómetros será mandar mais robôs, como acontecerá com a missão Mars Rover 2020, recolhendo amostras que poderão ser enviadas de volta à Terra.

Serão essas as pistas, os artefacto para perceber como funciona Marte. E os miúdos de hoje vão ver isso a acontecer", disse.

Para 2021, está prevista uma missão que "vai mudar tudo" na maneira como os seres humanos olham para o Espaço, o lançamento do telescópio orbital James Webb, com uma abertura "de 6,5 metros, o tamanho de uma vela nos navios de [Fernão de] Magalhães", um dos exploradores celebrados na Global Exploration Summit.

Veremos mais além no tempo, veremos novas aspetos da Física do Universo sobre as quais hoje apenas podemos fazer conjeturas, mediremos as atmosferas de outros planetas que orbitam estrelas próximas. Isto é ficção científica, é o "Caminho das Estrelas" tornado realidade", descreveu.

James Garvin afirmou que apesar de ninguém ter pisado a Lua em décadas não quer dizer que a exploração do espaço tenha abrandado, porque se estendeu em muitas direções.

Em vez de nos concentrarmos num lugar, agora vamos a todo o lado", referiu acrescentando que uma sonda vai nos próximos sete anos aproximar-se do Sol mais do que alguma vez foi feito, vão ser recolhidas e enviadas para a Terra amostras de um asteróide e o alcance dos olhos humanos avançou "milhares de milhões de quilómetros" com a missão New Horizons.

As espécies monoplanetárias não sobrevivem. As espécies que ficaram confinadas a uma ilha não sobreviveram. Se aplicarmos isso aos planetas, é um imperativo para nós ir a outros lados à medida que nos estendemos pelo Espaço. É o nosso destino", afirmou