Diferentes tipos de preservativos não faltam, alguns até com sabor, mas que sejam lubrificantes a sério ainda não é algo que se encontre. Investigadores da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, dedicaram-se a desenvolver um produto com essas características, que desliza melhor ao entrar em contacto com os fluídos corporais.

A investigação está publicada no jornal Royal Society Open Science e os investigadores acreditam que uso deste tipo de contraceção vai aumentar, até porque há quem se queixe que o que existe atualmente tem limitações ao prazer, seja pelo desconforto do atrito causado pela lubrificação insuficiente seja, por outro lado, pelo facto de o preservativo poder romper.

Este novo tipo de preservativo poderá ajudar a melhorar as relações sexuais.Ao contrário dos lubrificantes à base de água ou óleos, este é hidrofílico, atraindo água.

"É um pouco pegajoso quando se manuseia seco, mas na presença de água ou de fluidos naturais fica escorregadio. Só é precisa de um pouco de fluido para que funcione", explica Mark Grinstaff, que coordenou a investigação.

Que tecnologia foi então utilizada? Os cientistas revestiram o preservativo de látex com uma camada fina de uma substância que se torna escorregadia quando entra em contacto com a água. Depois foi a deixar a química - a científica mesmo - funcionar, entre a substância e o preservativo. Com isso, conseguiram prolongar o tempo de lubrificação, durante toda a relação sexual. O mesmo tipo de revestimento já costuma ser utilizado ​​em cateteres urinários.

Casais já testaram

Já foram realizados testes em laboratório com 33 pessoas, para avaliar a eficácia deste preservativo autolubrificante. O primeiro estudo foi até apoiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Os resultados foram positivos: o preservativo manteve a humidade, mesmo depois de ser esfregado 1.000 vezes contra uma superfície semelhante à da pele, o que corresponde a uma relação sexual de 16 minutos. Com o preservativo comum e gel lubrificante a envolvê-lo, começou a perder-se depois de 600 vezes. Em média, as relações sexuais duram entre 100 a 500 impulsos, mas naturalmente que também podem mais.

Outra das conclusões foi que o preservativo autolubrificante causou 53% menos atrito do que um preservativo comum sem lubrificante associado. Com gel lubrificante, a redução no atrito é de 55%. Só que muitas pessoas defendem que a preocupação em pô-lo interrompe a química do ato sexual.

Entre os 33 adultos que participaram no estudo e utilizaram os dois tipo, 70% responderam que a nova opção é “muito” mais escorregadia do que o contracetivo padrão e quase 55% anteciparam recorrer mais a preservativos se forem autolubrificantes.