Um grupo de cientistas descobriu uma luz que, supostamente "não deveria existir", mas que, no entanto, pode contribuir para uma "revolução fundamental" no campo da física quântica. 

Pertencem à Universidade do estado norte-americano de Iowa e afirmam ter descoberto uma forma de aceder a propriedades únicas da física quântica ao usar ondas de luz em alta frequência para acelerar supercondutores, ou seja, materiais que podem produzir corrente elétrica sem resistência ou perda de energia, quando colocados em temperaturas extremamente baixas. 

Já fizeram as primeiras experiências ao usar ondas de luz em frequências de terahertz (trilhões de ondas por segundo) para acelerar elétrons. Também são conhecidos como pares de Cooper, uma vez que Leon Cooper descreveu a maneira como estes se ligavam.

Publicado na revista Physical Review Letters, o estudo explica que após analisar a luz emitida pelos elétrons acelerados, encontraram "emissões de luz do segundo harmónico" ou luz com o dobro da frequência de entrada usada para acelerar os elétrons.

Estas emissões do segundo harmónico deveriam ser proibidas, pelas leis da física tradicional, em supercondutores. Isto vai contra o saber convencional", disse Jigang Wang, o principal investigador do estudo. 

Esta ilustração mostra a aceleração das supercorrentes por ondas de luz - Jigang Wang, Iowa State University

De acordo com os investigadores, as emissões desta luz proibida poderiam ser utilizadas para fabricar computadores quânticos de alta velocidade, assim como telecomunicações e outras tecnologias, com baixo consumo de energia. 

Encontrar formas de controlar, aceder e manipular os recursos especiais do mundo quântico e conectá-los a problemas do mundo real é um grande objetivo científicos dos dias de hoje", disse Ilias Perakis, professor de física e co-autor do estudo. 

Cláudia Évora