A utilização da máscara para impedir a disseminação do novo coronavírus pode continuar a ser uma realidade no próximo inverno, preveu esta segunda-feira um dos conselheiros científicos do governo britânico.

É possível que seja necessário que, no próximo inverno, continuemos a utilizar máscaras em certas situações", afirmou Patrick Vallence, chefe de pesquisa e desenvolvimento da companhia farmacêutica multinacional britânica GlaxoSmithKline.

Tomando a palavra antes de Boris Johnson revelar o seu "roteiro" para acabar com o confinamento no Reino Unido, Patrick Vallance disse que há o risco de "voar às cegas" se todas as restrições forem eliminadas de uma vez.

No parlamento, Boris Johnson disse que as medidas atuais serão suspensas em quatro fases - com uma meta de reabertura de escolas em 8 de março, cervejarias e cabeleireiros regressando a 12 de abril, e todos os limites legais de contacto social removidos a 21 de junho. No entanto, o primeiro-ministro advertiu que essas datas não foram "gravadas em pedra" - e que a ameaça do vírus "continua substancial".

Um estudo do Imperial College London descobriu que - mesmo sob cenários mais otimistas - pelo menos mais 30.000 mortes podem ocorrer no país, um número que pode bem subir para os cem mil, caso as regras sejam retiradas abruptamente.

No briefing aos jornalistas, Sir Patrick disse que, embora se espere que as vacinas façam "uma grande diferença", ainda há incertezas sobre a eficácia da vacina, a proporção da população que receberá a vacina, o nível de restrições necessárias a longo prazo e se o vírus será sazonal.

O alerta de Patrick Vallence surge um dia após Anthony Fauci, o principal conselheiro da Administração Biden para a covid-19, ter previsto que seja necessário continuar a usar máscaras nos Estados Unidos até 2022. Apesar disso, Fauci reconhece que o país pode voltar a um "nível significativo de normalidade" por volta do outono.

Para o especialista, o objetivo passa por "baixar a incidência para um nível em que deixe de haver uma ameaça".

Resultados preliminares de um estudo pelas autoridades de Saúde públicas feito em Inglaterra mostram que a vacina da Pfizer reduziu as hospitalizações em 65%, mas os resultados, embora positivos, ainda não são conclusivos em relação à vacina da AstraZeneca.  

O Reino Unido é um dos países mais avançados do mundo em termos de vacinação, tendo administrado uma primeira dose a mais de 17,7 milhões de pessoas, cerca de um terço da população adulta no país.

Porém, tem também um dos balanços mais pesados em termos de mortalidade, 120.757 confirmadas desde o início da pandemia covid-19, o mais alto na Europa e o quinto a nível mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, Índia, Brasil e México.