O brasileiro Marcelo Disconzi descobriu como é que o Universo pode acabar.

O matemático de 37 anos apresentou um seminário na Universidade de Vanderbilt, no Tennessee, e foi abordado por dois professores de física da instituição, Thomas Kephart e Robert Scherrer.

Os dois elogiaram o trabalho apresentado por Disconzi, a solução parcial de uma antiga equação, e sugeriram que a aplicasse à cosmologia.

A pergunta apanhou o brasileiro de surpresa. A apresentação, realizada em abril de 2014, apresentava uma solução para um problema criado nos anos 1950 por Andre Lichnerowicz, um famoso matemático francês.

A equação de Lichnerowicz tinha sido criada para tentar descrever o comportamento de fluídos viscosos que viajam a velocidades relativistas - comparáveis à velocidade da luz -, e Disconzi nunca pensou que a solução tivesse um efeito prático.

Mas Kephart e Scherrer propuseram uma questão: será que a viscosidade poderia ter algum impacto no Universo?

Depois, o trio começou a reunir-se com frequência. No ano seguinte, a teoria foi apresentada num estudo, que reavivava o Big Rip - ou "grande ruptura" -, uma das principais teorias sobre o fim do mundo.

A ideia consiste em que, daqui 22,8 mil milhões de anos, o Universo estará tão acelerado e disperso que os átomos que formam planetas e galáxias começarão a desintegrar-se.

A teoria do Big Rip surgiu, na verdade, em 2003, mas todas as tentativas de determinar quando é que isso aconteceria eram inconsistentes.

O estudo de Disconzi, publicado na revista Physical Review D, sugeriu um modo natural, e verossímil, para esse fenómeno.

Desde o doutoramento que Disconzi se dedica às equações diferenciais parciais, que servem para descrever comportamentos através de diferentes taxas de variação física.

O desfecho do mundo é, para o brasileiro, o seu horizonte de pesquisas.

O nosso estudo sobre o Big Rip mostra o quanto ainda falta entender sobre o Universo. Vamos continuar a investigar”, afirma à BBC.