A Altice Portugal, dona da Meo, criticou hoje os critérios usados pela Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) sobre reclamações nas comunicações, considerando serem "apenas mais uma clara tentativa do regulador em denegrir o setor".

Na semana passada, a Anacom divulgou que recebeu 11,7 mil reclamações sobre serviços de comunicações em outubro, um crescimento de 22% em termos homólogos, referindo que "todos os principais operadores de serviços viram aumentar as suas reclamações face a igual período do ano anterior", com a Meo a ser "o prestador mais reclamado (2.000 reclamações, mais 43%) e a NOS aquele que registou o maior aumento das reclamações, 78%, para um total de 1,4 mil reclamações".

Por maior esforço e empenho que este setor faça em termos de investimento em redes e infraestruturas de comunicação, em serviços e produtos inovadores, a Anacom continua a denegrir de forma reiterada a imagem do setor em Portugal", acusa a Altice.

A Altice Portugual diz que "não pode deixar de registar a inconsistência e falta de transparência dos números divulgados", uma vez que o regulador liderado por João Cadete Matos "apresenta os valores absolutos, não tendo em conta o volume de clientes por operador".

Ora, "a única forma intelectualmente honesta de apresentar as reclamações do setor, e que a Anacom já chegou a fazer no passado recente, é reportar as reclamações por 1.000 clientes", prossegue a empresa liderada por Alexandre Fonseca.

De acordo com a operadora, o setor das telecomunicações tem um valor de cerca de 0,37 reclamações por 1.000 clientes, "o que demonstra a qualidade do serviço prestado em Portugal, ao invés da mensagem que o regulador passa", com esta média a comparar "muito positivamente com outros setores que apenas prestam um tipo de serviço".

Acusa também o regulador de "enviesar completamente a leitura dos portugueses sobre o estado das telecomunicações em Portugal".

A Altice Portugal faz, por isso, a análise por cada mil clientes, já que considera que esta é a única forma de garantir que a informação é transparente e útil, considerando a dimensão de cada um dos operadores", prossegue, apontando, assim, que no mês passado a Meo "continua a ser o operador com menor índice de reclamações por 1.000 Clientes: 0,35".

O grupo de telecomunicações reitera que "a pandemia da covid-19 tem obrigado os operadores a um reforço e investimento na capacidade, resiliência e segurança das redes, para garantir que todas as famílias e empresas continuem a trabalhar".

Apesar disso, considera, "o regulador continua a desprezar o papel fundamental deste setor, mesmo no contexto de crise pandémica grave, em que coube aos operadores nacionais assegurar o pleno e regular funcionamento em diferentes áreas da administração pública e da economia nacional".

Entre os assuntos mais reclamados, a Anacom apontou que "os problemas com a ligação inicial ou instalação, o cancelamento de serviços e o atendimento foram os que mais aumentaram (+89%, +79% e +62%, respetivamente)", em termos homólogos.

A gestão dos contratos (23%), o cancelamento de serviços (19%) e as avarias (15%) foram os assuntos mais reclamados neste setor” no mês passado, adiantou a Anacom, na semana passada.

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