A Microsoft Portugal e Microsoft Ibérica estão a colaborar intensamente com as autoridades para ajudarem a apanhar eventuais pedófilos. São centenas de pedidos de entidades judiciais sobre vários assuntos, entre eles suspeitas de abuso sexual de menores ou pornografia de menores.

Segundo dados fornecidos pela Microsoft ao tvi24.pt, os «pedidos de informação sobre endereços de Hotmail (incluindo MSN e Live.com) são solicitados à Microsoft Corporation por uma entidade judicial : Polícia Judiciária ou tribunais».

«Em cerca de metade dos pedidos não é especificado o crime a que corresponde o pedido», mas «dos pedidos em que há informação sobre o tipo de crime, a maioria refere-se a burla informática, acesso ilegítimo, devassa da vida privada e difamação», refere a informação da empresa tecnológica.

No bolo total entra, também, «uma parcela identificada com os crimes de abuso sexual de crianças e pornografia de menores».

Os números referentes a Portugal são elucidativos: em 2009 foram efectuados cerca de 275 pedidos de informação, sendo que existem cinco pedidos identificados com a suspeita da prática de um crime de abuso sexual de menores e dois de pornografia de menores».

Os dados referentes a 2010 atingem já os «194 pedidos», sendo que até agora só foram encontrados «dois identificados com suspeita da prática de um crime de pornografia de menores».

Tecnologia para detectar imagens

Estes dados surgem no dia em que Bárbara Olagaray, directora de relações institucionais e da área legal da Microsoft Ibérica, foi até Comissão de Presidência, Justiça e Interior da Assembleia de Madrid explicar como é feita esta coordenação com as autoridades, no momento em que vários partidos receberam denúncias de casos de pedofilia e pornografia infantil na Internet.

No caso da Microsoft Ibérica diz, mesmo, que são recebidos 120-150 requerimentos judiciais mensais». Neste sentido, a empresa conta com um sistema que identifica conteúdo ilícito que depois é enviado para o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas dos Estados Unidos para que seja aberta uma investigação.

Por seu lado, as imagens colocadas online são «imediatamente» bloqueadas, enquanto é entregue toda a informação às autoridades judiciais e policiais para que estas possam realizar as investigações pertinentes.

Para ajudar neste processo foi desenvolvida a tecnologia «Foto DNA», que detecta imagens passíveis de crime e elimina-as, para além de existir uma equipa disponível todos os dias do ano para responder aos requerimentos judiciais urgentes e rever os perfis denunciados.

«São revistos cerca de três milhões de imagens mensais», afirmou, assinalando que só em 2009 foram reportados ao Centro Nacional de Crianças Exploradas e Desaparecidas cerca de dez mil casos, dos quais «muitos deles foram considerados violatórios».
Filipe Caetano