Gigabits e gigabits de informação. Por segundo. Leu bem, por segundo. Dados a circular de forma tão rápida que vão permitir a verdadeira “internet das coisas”: a transformação de objetos do dia-a-dia em aparelhos ligados à rede. Esta tecnologia chama-se 5G, quinta geração de ligações móveis, e é o assunto comum a praticamente todo o Mobile World Congress, a exposição de tecnologia que decorre em Barcelona.

De uma forma simples, o 5G é a próxima geração de ligações mobile, a forma como os aparelhos vão passar a trocar dados entre si. A maioria dos telemóveis atuais vêm equipados com 4G, uma conexão rápida que, basicamente, permite a transmissão de dados necessária para que possa navegar na internet praticamente da mesma forma que antes só conseguia num computador.

Mas o 4G tem um limite de velocidade que ronda, mais ou menos, o gigabit por segundo, e essa não é sequer, de longe, a velocidade que experimenta no seu smartphone. A próxima geração vai permitir transmitir informação na ordem dos gigabits por segundo, no plural, e, na prática, com ligações tão rápidas a internet vai conseguir ligar e organizar muitos dos objetos que consideramos essenciais para o nosso dia-a-dia, automóveis incluídos.

Assim, é normal que com todas as promessas que o 5G apresenta, as grandes marcas e multinacionais estejam a investir e a fazer parcerias para colaborar nesta nova tecnologia, desde fabricantes de telemóveis aos grandes pesos da indústria automóvel, como a BMW. Não é à toa que este ano se vejam várias marcas de veículos espalhadas pelos vários pavilhões da Fira Gran Via.

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As multinacionais exibem na feira as suas aspirações para a criação de carros autónomos e/ou inteligentes nos próximos anos e as parcerias que os tornam possíveis. A Peugeot, por exemplo, acredita que vai ter um autónomo nas estradas “em 2023 ou 2024” e está a preparar um modelo capaz de conduzir sozinho em auto-estrada já para o próximo ano. Para demonstrar esse compromisso, a marca trouxe ao MWC o protótipo Instinct (que pode ver no vídeo abaixo e na galeria de fotos associada a este artigo), um brilhante desportivo que, segundo a Peugeot, quer quebrar com a aparência “quadrada” dos modelos autónomos apresentados por outras fabricantes.

A marca francesa mostra, também, a ligação à Samsung que vai tornar os automóveis mais inteligentes e adaptados a cada condutor. Com o sistema Artik Cloud, são recolhidas informações dos dispositivos utilizados no quotidiano, como os smartphones e tablets, para ajustar a experiência da condução.

Outras marcas preferem mostrar como a “internet das coisas” vai tornar as viagens atuais mais cómodas. A Mercedes-Benz deixa os visitantes do MWC sentarem-se num Class E Coupé com painéis de instrumentos digitais, mapas em tempo real (uma parceria com a TomTom, que permite ver o trânsito) e reconhecimento de voz. Em vez de uma chave, um smartphone pode ser utilizado para trancar e abrir o carro.

A BMW também aposta na conetividade e controlos que se distanciam dos tradicionais analógicos, que enfeitam os interiores dos veículos atuais. A marca alemã promete, ainda, um sistema que pode acabar com as dores de cabeça com o estacionamento. Com recurso aos mapas, em breve, os veículos da BMW vão ser capazes de procurar um lugar de forma completamente autónoma.

Os carros são um bom exemplo, mas o 5G vai permitir outras coisas, como estas que pode ver nos tweets.

Sim, o 5G também está na robótica. O exemplo que vemos abaixo passeava pelo stand da STC, uma companhia saudita de telecomunicações, que está a utilizar um robô para testar esta tecnologia. Com várias câmaras instaladas na "cabeça", poderá servir como vigilante comandado, já que, à distância, o dono poderá ver pelos "olhos do robô", tudo graças à rápida transmissão de dados, que vai permitir vídeo em real time, com um delay tão pequeno que será praticamente indetetável. 

Velocidades destas vão permitir salvar vidas. No stand da Ericsson vimos um exemplo desses. Um robot - que é uma espécie de braço desenhado para operações à distância (leia mais AQUI). O cirurgião pode estar no pais vizinho a conduzir uma intervenção praticamente como se estivesse no local.

É a internet das coisas que serve, claro, também para o lazer. As novas ligações vão melhorar os sistemas de realidade virtual, espalhados pela feira em forma de óculos, criando jogos mais rápidos e realistas, melhorando a experiência do utilizador.

Sistemas esse que vieram para ficar e já movem quem se preocupa com dinheiro. Com as formas de pagamento, mais exatamente. Atualmente, o consumidor tem à sua disposição cartões contactless, apps, QR codes, várias opções para evitar o uso de notas e moedas. No stand da Visa experimentámos um sistema curioso, pensado para os utilizadores da realidade virtual: um sistema de pagamento que permite escolher artigos dentro do VR e pagar com Visa em apenas três passos. Como? Com os olhos.

Basta ir rodando a cabeça entre as opções, selecionando uma imagem de um olho quando se quer adicionar um item ao carrinho de compras.

O problema está no tempo de desenvolvimento do 5G, pois apesar de tantos testes o novo sistema de comunicações só deve chegar ao consumidor em 2020.

Élvio Carvalho / Em Barcelona