Todos queriam ter um. Os mais novos pelo Snake, os pais pela robustez e fiabilidade, os empresários pela bateria. Com mais de 120 milhões de unidades vendidas, o 3310 é um dos ícones da indústria dos telemóveis, porém, ultimamente era apenas uma piada da internet. Era.

Estamos em 2017 e um telemóvel pequeno e com teclas é uma das estrelas do Mobile World Congress - a exposição de tecnologias móveis que arrancou esta segunda-feira em Barcelona e onde a TVI está presente. Há que bater palmas à Nokia, na verdade à HMD global, que comprou os direitos da marca para fabricar novos telemóveis, que soube usar este trunfo para regressar ao mercado.

Foto: Élvio Carvalho

A verdade é esta. A Nokia apresentou outros três telemóveis, mas a estrela é o novinho 3310. Obsoleto ao lado dos novos Nokia 3, 5 e 6.

A nova versão do clássico é um telemóvel no sentido tradicional da palavra e não um smartphone. Consegue fazer tudo o que o antecessor fazia, mas agora apresenta um design renovado, é mais fino e vem em várias cores (ainda que o antigo fosse conhecido também pela variedade de capas personalizadas).

O ecrã é pequeno, mas desta vez é a cores. O teclado é o tradicional T9, o que pode não ser agradável se tiver de navegar na internet. Sim, tem internet. 2.5G para ser mais exato, o suficiente para pesquisar ou mesmo ir ao Facebook, mas não espere uma experiência como está habituado num smartphone.

O trunfo do telemóvel continua a ser a bateria, que agora dura um mês, ou 22 horas em chamada. 

É, portanto, um aparelho desenhado a pensar no público que não deseja um smartphone, mas que também nao quer um objeto da década passada. Pode também ter sucesso junto daqueles que querem um telemóvel secundário para chamadas, como trabalhadores do setor empresarial, ou nos mercados de países menos desenvolvidos.

Muitos deverão comprá-lo apenas pela nostalgia, ou pelo jogo Snake. E o preço ate é convidativo: 49 euros.

Élvio Carvalho / Em Barcelona