A agência espacial norte-americana NASA anunciou esta segunda-feira a descoberta de moléculas de água na superfície iluminada da Lua.

Segundo um comunicado da NASA, a água pode estar distribuída por toda a superfície lunar, e não apenas limitada a lugares frios e às escuras.

Os dados recolhidos pelo observatório SOFIA, da NASA, permitiram, segundo a agência espacial, detetar moléculas de água na cratera Clavius, uma das maiores crateras visíveis da Terra, localizada no hemisfério sul da Lua.

Observações anteriores possibilitaram detetar hidrogénio, mas foram incapazes de distinguir entre água e hidroxilo (composto constituído por um átomo de oxigénio e outro de hidrogénio).

Os resultados da descoberta foram publicados na revista da especialidade Nature Astronomy.

Temos indicações de que a familiar água que nós conhecemos, a H2O [fórmula química da água, composta por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio], está presente no lado da Lua iluminado pelo Sol", afirmou, citado no comunicado, o diretor da Divisão de Astrofísica na NASA, Paul Hertz.

Por comparação, o deserto do Sara terá cem vezes mais água do que o solo lunar, de acordo com as novas observações feitas.

Apesar das pequenas quantidades de água detetadas na Lua, a descoberta levanta novas questões sobre como a água é gerada e como persiste numa superfície inóspita e sem atmosfera.

A água é um precioso recurso para a exploração do espaço e um ingrediente-chave para a vida tal como se conhece.

Os Estados Unidos querem regressar com astronautas à superfície da Lua em 2024 e estabelecer missões sustentadas no satélite natural da Terra a partir de 2028, tendo na mira chegar a Marte.

Sem água, os astronautas não conseguem sobreviver na Lua.

Se a água detetada pelo observatório SOFIA - um telescópio a bordo de um avião Boeing adaptado para o efeito - está facilmente ao alcance para uso numa missão espacial não se sabe ainda.

Já se sabia que a Lua tinha gelo nos seus polos e que um deles, o sul, é apontando como a região de alunagem da próxima missão humana, a Ártemis, em 2024.

/ LF