Quase 600 espécies de plantas desapareceram nos últimos 250 anos, de acordo com o primeiro estudo global sobre o tema, que foi agora divulgado. O número representa o dobro de todas as extinções de aves, mamíferos e anfíbios combinadas e está a preocupar a comunidade científica, que considera que o fenómeno atingiu um nível “assustador”.

Os investigadores alertam que as extinções de plantas têm um impacto muito negativo no ambiente e afetam outras espécies: por um lado, são as plantas que produzem o oxigénio que respiramos e, por outro, são fundamentais para a existência de organismos que dependem delas, como o caso dos insetos que as usam para comer ou para se reproduzirem.

As plantas sustentam toda a vida na Terra. Elas fornecem o oxigénio que respiramos, os alimentos que comemos e compõem a espinha dorsal dos ecossistemas de todo o mundo. Por isso, a extinção de plantas é uma má notícia para todas as espécies”, afirmou Eimear Nic Lughadha, dos Jardins Botânicos Reais de Kew, no Reino Unido, que participou no projeto, em declarações ao The Guardian.

Os cientistas concluíram que a extinção de plantas está a ocorrer a uma velocidade 500 vezes superior ao que seria esperado. Os dados indicam que desapareceram 571 espécies de plantas desde 1750.

O estudo, publicado na revista Nature, e que resulta de vários anos de trabalho de campo e de análises científicas, ressalva que esta é apenas uma estimativa e que esta pode estar muito abaixo da realidade, uma vez que alguns países não foram estudados minuciosamente.

A maior causa de extinção de plantas é a destruição do habitats naturais devido a atividades humanas como a desflorestação e a agricultura.

A investigação pode ajudar a promover a conservação de espécies mais vulneráveis. Por exemplo, o estudo revela que a localização é um fator a ter em conta: as plantas que estão em ilhas pequenas ou nos trópicos apresentam maior risco de extinção, quer sejam palmeiras, rosas, ou orquídeas.

De acordo com a análise publicada, o Havai é a região do planeta com mais espécies de plantas extintas (79), seguido da região do Cabo, na África do Sul (37). A Austrália, o Brasil, a Índia e Madagáscar também estão entre os locais mais afetados.