Uma raposa do Ártico percorreu cerca de 3.500 quilómetros em apenas 76 dias. O animal foi da Noruega até ao norte do Canadá, a uma velocidade que surpreendeu os especialistas.

A viagem aconteceu no ano passado, mas só agora foi divulgada pelos investigadores do Instituto Polar da Noruega.

Os cientistas colocaram uma coleira com GPS no animal, uma fêmea, na altura com menos de um ano de idade, e soltaram-no no final de março do ano passado, na ilha de Sermitsiaq, na Noruega.

Em 21 dias, a raposa fez 1.512 quilómetros no gelo marinho, alcançando a Gronelândia a 16 de abril. A 1 de julho chegou, por fim, à ilha de Ellesmere, no Canadá.

 Primeiro não acreditamos que era verdade”, afirmou Eva Fuglei, cientista que monitorizou a viagem da jovem fêmea, no relatório agora divulgado, designado “A longa corrida de uma fêmea pelo gelo marinho”.

No relatório, os cientistas escrevem que a jornada está entre as viagens de um animal mais longas alguma vez registadas. Foi tão longa que os especialistas, a um dado momento, até acharam que a coleira GPS tinha sido retirada da raposa e levado a bordo de uma embarcação.

Mas não, não há barcos que se desloquem tão longe no gelo”, vincou Fuglei.

A coleira transmitiu dados todos os dias, a cada três horas. E o que mais surpreendeu os investigadores nem foi a distância total percorrida, mas a velocidade da viagem. É que a raposa fez uma média de 46 quilómetros por dia. Num só dia chegou a percorrer 155 quilómetros.

Este é o movimento mais rápido alguma vez registado para esta espécie”, lê-se no relatório.

Os cientistas acreditam que o facto de ter feito tantos quilómetros em pouco tempo se deveu à utilização do gelo marinho como “meio de transporte”.

O que, sublinham os investigadores, vem reforçar a importância do gelo marinho na capacidade de deslocação dos animais no Ártico e serve para lançar um novo alerta sobre os efeitos negativos que as alterações climáticas trazem à vida animal na região.

Uma ideia que é corroborada pela ministra do Clima e do Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen.

É outro exemplo do quão importante é o gelo marinho para a vida animal no Ártico. O aquecimento no Norte está assustadoramente rápido. Temos de cortar as emissões de gases rapidamente para prevenir que o gelo marinho desapareça”, afirmou, em declarações ao instituto.