Em Portugal, uma em cada 11 mulheres pode vir a sofrer de cancro da mama. No Reino Unido, este é mesmo o tumor mais comum e chega a atingir cerca de 55.000 mulheres por ano. De acordo com um estudo desenvolvido pela associação Cancer Research UK, está já em testes um novo método online que avalia os níveis de risco de qualquer mulher poder contrair a doença.

O algoritmo criado, designado como BOADICEA (Breast and Ovarian Analysis of Disease Incidence and Carrier Estimation Algorithm),  combina informações sobre a história da família de uma mulher e centenas de marcadores genéticos com outros fatores, como, por exemplo, o peso, para fornecer uma avaliação o mais abrangente possível.

Este novo teste consiste numa calculadora online que irá permitir a adaptação do rastreio a indivíduos específicos, dependendo do risco de cada um. Por exemplo, será possível saber quando é que uma paciente deve ser analisada pela primeira vez e com que frequência deve ser obseravda, caso tenha de passar a ser acompanhada.

É a primeira vez que alguém combina tantos elementos numa ferramenta de previsão do cancro da mama. Irá ajudar os médicos a adequar os cuidados que prestam, dependendo do nível de risco das suas pacientes. Por exemplo, algumas mulheres podem precisar de consultas adicionais para discutir triagem ou opções de prevenção e outras podem precisar de orientação sobre o seu estilo de vida e dieta", explicou o professor Antonis Antoniou, investigador da Universidade de Cambridge. 

Diferentes níveis de risco

Com o novo sistema, os investigadores reconhecem que o cancro da mama deixará de ser detetado apenas nas mulheres que se encontram num estádio da doença mais avançado, passando a ser possível a identificação de um grande número de mulheres com diferentes níveis de risco. 

Ainda em fase de experimentação, o sistema considera mais de 300 fatores influenciadores da doença, entre os quais se destacam o peso, a idade, o consumo de álcool e o historial familiar. 

A combinação destes indicadores permitiu a criação de um exame personalizado que está a ser testado por especialistas e enfermeiras. Em breve poderá estar disponível no National Health Service, o sistema de saúde do Reino Unido. 

Apesar de ainda ser necessário realizar alguns testes experimentais, Richard Roope, da Cancer Reseach UK, afirma tratar-se de uma inovação "extremamente estimulante, porque, no futuro, permitirá oferecer um atendimento muito mais personalizado, que beneficiará as pacientes e levará a um melhor uso dos serviços que temos disponíveis".